A secçom Domingo Cultural do Galiza Livre quer contribuir para o conhecimento de poetas da emigraçom através do livro Onda Poética 2018 da Editora Positivas.

Muitas galegas padecem as consequências da emigraçom forçada por causa da dependência política e económica da Galiza, mas levam a mala cheia de dignidade e orgulho do seu país e com ela fiam versos de grande valor ético-estético para o desfrute das leitoras.

Lorena Souto (Bangor- Gales)

Xavier Queipo e Lorena Souto. Onda Poética

A perspetiva de deixar a casa e provar algo noutro lugar, longe dos teus, torna-se cada vez menos estranha a medida que se amoream os meses no paro. Ao fim e ao cabo, emigraram tantas pessoas… O meu caso também nom era excepcional.

Desde 2013 vivo no condado de Gwynedd, no norte de Gales. Mesmo tendo que marchar, considero-me afortunada. Cheguei para trabalhar em algo para o qual me formara, como leitora de galego no Centro de Estudos Galegos de Gales, na Universidade de Bangor. E encontrei uma comunidade com a qual aginha me identifiquei e na qual me sentim extraordinariamente bem acolhida, começando polo grupo de galegas e catalás que vivem deslocadas ali. Nunca perdo de vista que marchei por razóns económicas, mas som ciente de que a minha situaçom nom há de ser a mais representativa da emigraçom galega.

A minha experiência da diáspora está moldada polo facto de viver noutra naçom menorizada: Cymru. Isto acarreta encontrar empatia e interesse quando me perguntam de onde som e eu explico-o nos meus próprios termos. Deixa espaço para construir pontes e projetos com uma cultura que sentes próxima a pesar das diferenças.

Um lugar tam semelhante ao meu, quase como um jogo de imagens espelhadas e distorçons. A paisagem da contorna de Bangor bem poderia ser o rural galego em que me criei, mas limitado polo mar céltico e rodeado por castelos e minas de lousa. Muitas cançons e poemas galeses semelham falar de como sobrevive o meu próprio povo a pesar das adversidades. O descenso de falantes. A paixom de quem luita pola sua cultura e por uma política que respeita a sua gente. Um país tremendamente rico em recursos, espoliado desde há séculos. Ás vezes a indefensom. Outras vezes a força. Seguimos aqui. Ir de periferia a periferia serve para ver as diversas formas que adotam as estruturas do poder colonial, para compreender algo melhor Gales e para compreender-nos um pouco mais a nós próprias.

Estou em dívida com Rubén Chapela Orri, Myfyr Prys e Delyth Prys por ajudar-me a que as minhas palavras soem em galés (com sotaque do norte) na sua traduçom destes poemas, e seguir deste jeito desenhando pontes entre a Galiza e Gales.

Bandeira de Cymru

GALIZA – CYMRU

Um dia de viagem de periferia a periferia
O último tramo de trem que abeira a costa
vai-se mergulhando no outro lado do espelho
Llandudno Conwy Llanfairfechan Permaenmawr
Bangor
A diferença na identificaçom
outra versom de nós próprios
os castelos dos colonos
as canteiras de lousa
(e ainda) a sua língua
Seguimos aqui
a pesar de todos e de tudo*
*Dafydd Iwan, “Yma o hyd”

Adaptaçom ortográfica do Galiza Livre.