Trás o genocídio de 1936, os gromos de organizaçom independentista na Terra fôrom gorados: os assassinatos, exílio, condenas económicas, ostracismo, e também a deserçom desleal de galeguistas, deixárom o nosso país sem referente político. Além mar, porém, houvo núcleos nacinonalistas que mantivérom com grande valentia e lucidez o melhor do nosso ideário, preparando melhores tempos. Um dos contributos mais desconhecidos foi o das Mocidades Galeguistas de Bos Aires, um fato de jovens que, com claridade, enunciárom o nosso ideário para espalhá-lo na comunidade emigrante. Um destes moços, Antom Moreda, seria um dos protagonistas senlheiros da reorganizaçom nacionalista da década de 60.

Na sua homenagem, e como texto formativo, reproduzimos o manifesto da organizaçom na década de 50.

Declaraçom independentista das Mocedades Galeguistas de Bos Aires(Revista Adiante, num3, Bos Aires 1954)

Quando se fala de galeguismo, fala-se de também de autonomia, de federalismo e de arredismo; e tecem-se arredor destes conceitos muitas explicaçons: o que fai pouco menos que impossível entende-los de forma clara. As Mocedades, que nos manifestamos arredistas, julgamos necessário esclarecer o significado que para nós tenhem estes conceitos. Assi pois.

Alguns galegos conformam-se com um estatuto autonómico, que apenas serve – e nisto coincidimos com os centralistas- para fechar a Galiza no cerco estreito dumha semi-liberdade administrativa, concedida como de lástima polo poder central.

Hai quem entende por federalismo a simples autonomia. Outros chamam federalismo a umha confederaçom de repúblicas ibéricas independentes (Catalunha, Galiza, Euskadi, Portugal, Hespanha) unidos por um tratado especial, o que já é mais aceitável.

Nós nom desprezamos o estatuto autonómico de 1936, mas nom achamos que seja o fim e si um princípio da redençom galega. Também nom estamos em desacordo -já o temos dito- com a ideia dumha Comunidade Ibérica das Naçons, mas olhamos neste sistema um meio, um antecedente, para chegar à uniom das naçons europeias (das “naçons” nom dos “Estados”).

Galiza é umha naçom perfeita, tem território, idioma, cultura e vida económica próprios, tem personalidade étnica diferenciada, e tem consciência de si própria. Conforme o conceito moderno das nacionalidades nom lhe corresponde nada menos que constituir um “estado próprio absolutamente independente”. E, embora acreditemos que a Galiza independentemente deve federar-se com outros povos, como assi o exige a convivência moderna; nom nos seduze federar-nos apenas com os espanhois, pois nom confiamos neles.

A nossa desconfiança baseia-se na realidade; for monárquicos, republicanos ou falangistas; direitistas, esquerdistas ou centristas; militares, eclesiásticos ou civis; os hespanhois –dum modo ou outro, em maior ou menor grau –som inimigos da nossa liberdade, da nossa cultura, do nosso idioma, da nossa personalidade nacional e do nosso progresso. Disto dérom provas suficientes desde há cinco séculos, e nisto baseia-se o nosso arredismo; que é hoje, para as novas geraçons galegas, democratas e patriotas, o único caminho digno.

Somos arredistas da Hespanha podre, que quer que Europa finalice nos Pirineus, porque temos sentido da universalidade queremos que a vida da Europa e do mundo volva a nós por um novo caminho de Sant-iago.

. Somos arredistas da Hespanha que ainda nom chegou ao século XX, da sua intolerância sanguenta, da sua incapacidade moral para ser um pais livre, do seu atraso, da sua anticristiá, do seu soberbo complexo de superioridade, da sua fanfarronaria sentada em trono de palha. Somos arredistas, porque queremos viver em liberdade, desenvolver a nossa cultura, fazer avançar material e espiritualmente o nosso povo e constituir um estado democrático, farturento e pacífico.

Somos arredistas do “Hispanismo” inimigo descoberto do povo galego e inimigo encoberto da independência dos países latino americanos, porque somos leais com a nossa caste e com os irmaos de América que nos abrem as portas dos seus limpos fogares.

*Revista Adiante, nº3, Bos Aires 1954