Quem quiger informar-se dos graves casos de vulneraçom de direitos humanos nas cadeias espanholas terá que mergulhar, obviamente, bem longe da mídia dominante. Mas também muito além da prática totalidade da imprensa nomeada progressista, que tem estabelecido nos últimos anos umha clara divisória entre presos políticos ‘bons’ (pacifistas, em regime de vida ‘ordinário’ e com certos direitos penitenciários) e ‘maus’ (acusados de delitos violentos, encerrados em 1º grau e privados dos direitos que assistem à maioria das presas e presos). É por isso que boa parte do público leitor galego ignora as condiçons de vida dos presos arredistas do seu país, como também as do colectivo de presos comunistas e antifascistas ligados ao PCEr e o GRAPO, alvo dumha das campanhas de ensanhamento estatal mais intensas em corenta anos de Regime. Sítios web como http://www.presos.org ponhem a sua focagem na denúncia da situaçom deste colectivo militante.

Nas últimas semanas, graças ao trabalho de meios contra-informativos como este, soubemos da crítica situaçom de Manuel Arango Riego, militante do PCEr ingressado neste mês na enfermaria de Herrera de la Mancha. Arango acumula distintos problemas de saúde, directamente relacionados com os processos repressivos vividos: hepatite, hérnia discal, artereoesclerose e a tensom alta. A combinaçom de ambas doenças pode ser letal, e nos últimos tempos Arango tem mesmo dificuldades para se deslocar sem muletas ou cadeira de rodas. Segundo o regulamento penitenciário, os presos e presas gravemente enfermos podem aceder à liberdade antes de cumprirem a totalidade da sua condena.

A última presença pública de Manuel Arango tivo lugar na Audiência Nacional, testemunhando a favor dum cineasta envolvido no projecto ‘Resistência Films’ que era julgado por dar voz nas suas fitas a militantes retaliados polo Estado. Apesar de a legislaçom reconhecer a possibilidade de declarar na Audiência por video-conferência, o tribunal obrigou ao deslocamento de Arango a Madrid, o que ainda piorou o seu estado de saúde. Ao igual que os outros militantes comunistas julgados na sala, Arango, aproveitou a comparecência para denunciar as condiçons de vida dos presos e presas gravemente doentes, e o incumprimento do regulamento penitenciário no que diz respeito o direito dos reclusos a viverem os seus últimos dias em liberdade.

Longo historial de luita

Manuel Arango Riego, nado em 1949, tem um longo historial de militáncia comunista desde os anos 70. Padecendo prisom e tortura em várias ocasions nos anos da chamada ‘Transiçom’ e de novo nos anos 80 pola sua pertença no PCEr, leva na actualidade preso desde o ano 2007, pagando umha condena de 14 anos. No total, Arango leva quase 20 anos da sua vida por trás dos barrotes. A sua companheira, Isabel Aparicio morreu de facto na cadeia de Zuera vítima da desassistência sanitária há três anos. Pouco antes de falecer, o pessoal sanitário do centro manifestou-lhe que nom a iam pôr em liberdade porque ‘ainda nom se estava morrendo’.