(Traduçom do galizalivre)

Suponho que vos enteraríais da mobilizaçom na França contra a recente ocorrência do pequeno Napoleom, o chamado ‘imposto ecológico’. Suponho que sabedes que levam umha semana mobilizando-se de norte a sul e de leste ao oeste. Suponho que conhecedes que, ao contrário que no Estado canalha (mais conhecido como Espanha), umha das iniciativas destas mobilizaçons foi o curte de estradas e caminhos de ferro, e onom pagamento das portagens nas autoestradas. O que nom há muitofixeram os CDR cataláns, e polos que foram acusados de ‘terrorismo,rebeliom e sediçom’. Som já 200 pessoas com acusaçonssemelhantes, e o número segue. E os alegados ‘progres’ continuam calados.

E é que os alegados ‘progres’ som meninhos que sentem um desprezo absoluto por quem nom som eles. Por exemplo, como quem se estám a mobilizar na França, os chamados coletes amarelos, a quem desqualificaram como ‘revolta dos paifocos’. E é que o grosso dos mobilizados som pessoas de cidades pequenas e vilas, que vem a sua sobrevivência ameaçada polo imposto famoso. Gente de abaixo, que comprou carros diesel (isto é, poluintes), por serem mais baratos, e que viram na sua única forma de trabalho ou de mobilidade. Gente que mora em zonas pouco povoadas, desindustrializadas e privadas de serviços locais, porque todo issoé o primeiro que esborralhou a famosa crise encetada em 2008 e ainda vigorante. Gente, considere-se como se considerar, trabalhadora, para a que o uso do carro vira um imperativo para ter trabalho e vida social. Isso, quando tenhem trabalho. E é, de todos os pontos devista, um movimento interclassista.

Secalhar nom sabedes que umha das críticas que se fam ao imposto doscarburantes, dito ecológico, e que é um ‘privilégio dos ricos’(sic). Pois som os ‘ricos’, quem tem trabalhos bem remunerados ecom certa estabilidade, quem se podem permitir o luxo de comprar carros híbridos ou eléctricos, a recomendaçom que se fai agora por parte de todos os governos, governo que nom dedicam praticamente nadinha a umha melhora dos serviços públicos (e o transporte é um deles), mas dim-che que polúes.

O governo francês acusa esta revolta de estar ao serviço da ‘extrema direita’. É certo que muita gente, rural, nom há muito votou paraa Frente Nacional, neofascista. Mas também o é que umha parte importante de quem se mobilizaram som mulheres e, nos arrabaldos,pessoas imigrantes. Esta malta vota na FN ? Pode que si, mas também pode que nom. Isto tardou em percebê-lo a FrançaI nsubmissa, a formaçom semelhante a Unidos Podemos do estado canalha(mais conhecido como Espanha), ainda que ao cabo aderiu às mobilizaçons, entre outras cousas para nom deixar o campo aberto aoneofascismo e para nom permitir que este o controlasse todo. Aqui, no estado canalha (mais conhecido como Espanha), nem estám nem os esperamos em situaçons semelhantes (a Catalunha é o exemplo mais claro).

Obviamente isto que conto transmito-o da minha amiga Danielle, muito activa nestas mobilizaçons. E conta-me que si, que o movimento se espalhou por Facebook, mas nem só, também ‘e sobretodo’, diz-me, ‘apoiou-se em redes amigas para as mobilizaçons concretas, nas amizadas, no boca a boca, no estar rodeadas de iguais, e isso foi muito importante, porque muita dessa gente nom vota, nom se envolve no debate político’. Eis o relevante, e o que deu grande legitimidade ao movimento. Nom falam os‘progres’ de transversalidade ? Pois aqui tenhem um exemplo claro, mas fôrom apanhados em contrapé, porque umha cousa é a teoria, e umha outra, a prática.

Danielle diz que ‘num contexto das condiçons de vida, cada vez mais precárias, das classes mais baixas, é importante ter boa reputaçom a escala local, e tem mais arraste um amigo, ajudar os amigos, que qualquer um manifesto.’ E conta umha cousa muito importante : ‘polo geral, os sindicatos utilizam coletes vermelhos nas suas manifestaçons e acçons, mas aqui nom aparecêrom em ningures, enquanto sindicalistas conhecidos si, mas com coletes amarelos ; e que outra das críticas que sepom nestas mobilizaçons é aos sindicatos polo seu vencelho com o poder.’ Cumpre mentarmos que a CGT, comunista, decidiu apoiar também as mobilizaçons trás um debate, enquanto a CFDT e outras, alegadamente socialistas, secundam o governo, e pedem, no mais, ‘um debate que fixer possível um pacto ecológico.’


Esta é a postura lógica desta gente, pactos desenhados para se eludirem as exigências fulcrais, e para acompanhar a transiçom energética ; mas isso serve ao poder, que continua com a sua política : esnaquiçar as pensons, rebaixar as prestaçons por desemprego, curtar serviços sociais…

Continuo com Danielle : ‘é a questom dos impostos e do poder de compra o que está a unificar a gente, mas sobretodo, cada vez se ouve mais a denúncia das desigualdades entre ricos e pobres, entrequem acumulam e especulam e quem trabalham’. E sentença : ‘se o movimento continua, é claro que se darám divisons políticas, masagora é comum o rejeitamento ao governo e à desigualdade fiscal. Écomplexo separar a fenda entre os impostos e as reivindicaçons porcondiçons de vida dignas. Esta é, também, umha mobilizaçom inesperada contra a degradaçom das condiçons de vida.’


‘Arevolta dos paifocos’ nom está a pedir um diálogo, senom que está a pôr na corda bamba um sistema. Nom o fai com concentraçons de apoucados e movendo as maos de forma silenciosa, senom curtando ruas, estradas e caminhos de ferro, e enfrentando-se aos servos do poder. Procurade as diferenças entre o acontecido aqui há uns anos (e onde estám agora os protagonistas), e o de alô. É a diferença entre a acçom dos coitados e a acçom directa. Os paifocos dam umhal içom de transversalidade aos senhoritos e senhoritas, essa transversalidade da que tanto falam os coitados.

Publicado em el territorio del lince.