O mesmo que a maioria da gente que vive em Gales nos últimos quinze anos, nunca pensara sobre um Gales independente.

Medrei em Gales quando a economia estava num debalar permanente, mas com a mídia británica a dizer que nunca fora tam bem.

Quiçá eles nom se molestaram em visitar os vales, naqueles onde nós amiúde, de cativos, nem sabíamos se íamos comer esse dia.

Mas curiosamente, dado que era o que diziam no tevê, eu acreditava nisso. Pensava que tínhamos sorte por fazermos parte da Grande Bretanha.

No nosso completo sistema educativo, pouco se fazia para nos sentirmos parte de Gales.

A única experiência da história galesa que eu tivem foi umha visita a Sam Fagan na escola infantil. A língua galesa era apenas umha escolha nos nossos dous últimos anos de escola.

Nunca pensara sobre ser galês quando fum criado e educado para acreditar que eu, a minha família e amigos, éramos todos británicos. Tivem a bandeira británica no meu quarto durante toda a adolescência.

Aos dezasseis, decidim enrolar-me no exército británico, depois de que a minha escola recebesse a visita dum representante das forças armadas. Dixeram-me entom que eu receberia educaçom, veria o mundo, e ainda por riba receberia uns ingressos por isso.

Foi depois mesmo de ter-me enrolado no exército que comecei a ver dum jeito diferente o Reino Unido.

Fixem o exame de acesso e fum seleccionado como oficial de inteligência ; mas ao primeiro recebera um adestramento básico.

Viajei a Aldershot. Fora a minha primeira vez fora de Gales, e foi muita a acossa e racismo que eu recebim por ser galês.

Desde ser forçado a tomar duches em água gélida, até dormir no chao de betom ; aliás de receber agressons verbais e ser golpeado.

Dei estes dados a quem era o sargento na altura, quem me dixo que, polo feito de ser galês, eu nunca ia ser realmente bem vindo ; mas que eu devia manter a cabeça baixa e afazer-me a isso.

Nesse momento, ainda tinha a oportunidade de abandonar ; e abofé que o fixem. Retornei a Gales com umha visom distinta da Grande Bretanha ; mas ainda me considerava a mim mesmo um británico.

Um ano depois, o 11 de Setembro aconteceu, e a Grande Bretanha invadiu o Afeganistám e o Iraque.

Muita gente morreu em ambas as guerras, em ambos os bandos, e a nós dizia-se-nos que tínhamos direito a invadir esses países. Comecei a pensar que eu poderia ter sido um desses homens mortos se nom deixara as forças armadas.

Injusto

Trás ter posto todo o meu esforço em aderir ao exército, nom tinha plano nenhum para a minha vida futura quando tocou botar-se fora. Entom, decidim-me a formar-me por mim mesmo.

Achei que me cumpriria ler sobre a história galesa pola vez primeira. Existiam diferentes pontos de vista sobre a história de Gales e a sua dinámica política, mas o conjunto dos autores coincidiam ao admitirem que Gales fora conquerido e explorado.

Pretendia esclarecer as minhas ideias, antes de sentir que estava a cair baixo a influência das ‘tolerias’ de alguns nacionalistas galeses. Entom lim outro livro, e ainda outro, e mais outro.

Ficava claro : nós fóramos invadidos e intimidados até a submissom ; de cada volta que tentávamos erguer-nos, a dirigência británica batia-nos para tombar-nos de novo.

Olhando à minha volta, reparei em que as cousas nom tinham mudado. Decatei-me que como cidadaos inculcárom-se-nos ideias para pensar como o governo queria que nós pensássemos.

Decatei-me também de que fomos humilhados como naçom, do mesmo modo que fum ameaçado no exército.

Na realidade, nunca estivem interessado em política, mas comecei a perguntar-me a mim mesmo porque a pobreza estava tam extendida em Gales, sendo tam ricas outras partes da Grande Bretanha. Por que nom temos a nossa justa porçom de riqueza.

Roubam os nossos recursos ano trás ano. Compradores de vivendas turísticas sobem os preços além do que nos podemos permitir os autóctones.

As nossas augas som utilizadas como lixeira para restos poluintes, e o nosso governo eleito em Cardiff permite tal cousa, enquanto entrega o nosso poder a Londres.

Mesmo na passada semana o secretário de transporte dixo que Gales devia sentir-se afortunada polo que Londres fai por nós. Mesmo quando Gales recebeu 5000 milhons de libras menos em fundos de infraestruturas que o surleste de Inglaterra !

Ainda somos tratados como umha colónia. Comecei a ser ciente de que isto nom tem relaçom com quem governa Westminster. A mensagem é a mesma : a Grande Bretanha é grande, e nós somos melhores unidos. Na realidade, esta nom é umha mensagem de esperança para lugares como o que nascim.

Se me permitem tomar emprestado o eslogan trabalhista, a Grande Bretanha é para os poucos, nom para os mais. Estes poucos nom estám em Gales, e nom acho que as cousas mudem enquanto Gales for parte da Grande Bretanha.

O povo de Gales tem recebido umha lavagem de cérebro continuada, e o nosso trabalho é ajudá-lo a ver a verdade.

É por isso que eu aderim a ‘Yes Cymru’. Cumpre mudarmos as cousas aginha, e nom podemos confiar nos políticos para fazer isto por nós.

Temos que fazê-lo por nós mesmos. Temos que recuperar a nossa Terra.

*Publicado originalmente em Nation.Cymru com o título ‘How I went from British Army to support an independent Wales’.  (traduçom do galizalivre)