Movimento popular continua acçom directa contra a eucaliptizaçom

Desde a passada primavera, as Brigadas Deseucaliptizadoras restauram os nossos montes desde o voluntariado militante

Por Sabela Castro /

Passado um ano desde a grave vaga de incêndios que arrassou Galiza a situaçom poderia resumir-se como em ponto zero : a Junta nem está nem se lhe espera. Sabedores desta realidade de dessídia e risco futuro diferentes organizaçons, desde o ambientalismo até cooperativas de jovens, lançárom-se ao monte para tentar paralisar sobre o terreno os planos da Junta e as empresas florestalistas, que visam converter Galiza num enorme eucaliptal.

Malaherba em Vigo

A maioria destes projectos estám a agromar justamente naquelas zonas que sofrêrom mais marcadamente o lume no ano passado. É o caso do Colectivo Cultural Malaherba de Matamá, umha paróquia de Vigo. Nas passadas fins de semana coordenárom-se para limpar de brotes de eucaliptos umha parcela de três mil metros quadrados. Depois de todo o ardido naquele lugar, ao ano seguinte dá-se um rebrote de eucaliptos que comparam com umha praga. Em declaraçons ao Sermos Galiza o colectivo assegura que vam continuar neste trabalho perante a elevada demanda da vizinhança e perante a passividade das administraçons. Trabalham de maneira voluntária e animam as pessoas a contactá-los.

Furatoxo e Cooperativa Pouso da Serra em Hio

Também coincidindo com o aniversário da vaga de incêndios do ano passado, estas duas organizaçons limpárom eucaliptos no lugar de Joam Carneiro em um terreno cedido pola comunidade de montes de Hio à cooperativa Pouso da Serra. A devandita cooperativa trabalha desde há dous anos com cabras para a limpeza do monte. Dedicam-se também à apicultura, a diferentes actividades florestais e celebram a festa do cabrito em Liméns, com grande sucesso na passada ediçom. Trata-se dumha cooperativa de três pessoas sócias e jovens que demonstra que a acçom através da cooperaçom pode oferecer horizontes para o nosso monte diferente à eucaliptizaçom massiva. Trabalham com umha concessom a anos vista numha extensom de 20 hectares.

A Cooperativa Pouso da Serra trabalha, valendo-se da gadaria, para preservar o Hio

Para além do problema da eucaliptizaçom também asseguram que a administraçom pom todo tipo de problemas para dar qualquer um passo à frente. Numha reportagem para o digital Adiante.gal asseguráram no mês de Setembro terem que procurar o assesoramento para a sua exploraçom em solitário. Entre as nulas medidas que oferece a Junta está o facto de que este tipo de pastoreio, altamente beneficioso para limpar os montes, nom conta com ajudas directas. Projectam desde Setembro construir umha nova nave.

Vigo, Val Minhor e o Condado : arredor da mao comum

Apenas vimos de tentar detalhar dous exemplos, mas na verdade na zona de Vigo o movimento nuclea-se e multiplica-se da mao das organizaçons de montes em mao comum. Também no 28 de Outubro a Comunidade de Montes de Vínciosno Val Minhor, realizou umha actividade semelhante nos seus terrenos, partindo do merendeiro do Monte Galinheiro.

Por sua vez, a comunidade de Taboexa nas Neves realizou o próprio no dia 27. Em Ponteareias tomou a iniciativa a associaçom Voltea do Condado, nesta ocasiom no castro de Tronha.

Continuam as brigadas deseucaliptizadoras de Verdegaia

Seguindo umha iniciativa plantejada na altura da primavera deste ano, a organizaçom ambientalista Verdegaia coordena e organiza voluntariado para efectuar tarefas de limpeza nos montes. Na página corporativa da organizaçom vam-se detalhando as acçons levadas a cabo até o de agora. A iniciativa quer coordenar pessoas de toda Galiza baixo umha metodologia comum, que visa defender o monte galego da invasom de eucaliptos através da sua erradicaçom e da plantaçom de espécies autóctones.

Para isso contam com entidades colaboradoras ou titulares de parcelas que asumem um compromisso semelhante para com o monte, cedendo os terrenos ao voluntariado. Levam um total de sete lugares intervidos. Em algum dos casos, por exemplo Frojám em Lousame, as pessoas que participam da brigada realizam várias tarefas de intervençom no mesmo espaço. Normalmente restaura-se o lugar retirando madeira queimada e a continuaçom eliminam-se pequenos rebrotes de eucaliptos para evitar o seu crescimento. Algumha das brigadas conta com mais de trinta pessoas voluntárias e a organizaçom ambientalista através de um site web próprio da iniciativa chama à participaçom aberta de toda pessoa em qualquer ponto do País que quiger somar-se à iniciativa e dar-lhe um futuro diferente ao nosso monte.

Adega na defesa do pedregal de Irímia

Como exemplo e metáfora de todo o que acontece com a eucaliptizaçom do nosso monte encontramos o caso do Pedregal de Irimia, o nascimento do maior rio da Galiza. Acarom das pedras do glaciar existe umha plantaçom de eucalipto que fai perigar a saúde da fonte da que nasce o rio. Mas Adega denuncia também o aspecto simbólico e cultural que está por trás de permitir que o nascimento do maior rio galego esteja inçado de umha espécie foránea e invasora. Por isso iniciou junto com outras organizaçons afins umha campanha de sensibilizaçom sobre o particular, reclamando a declaraçom do pedregal como Monumento Natural para a sua adequada conservaçom.

Planos e projetos da Junta

No passado mês de Outubro várias organizaçons ambientalistas, sindicais e de montes em mao comum, do País reunírom-se com a Junta para lhe exigir a revisom do novo plano florestal da Galiza. Trata-se apenas de achegas à primeira revisom do mesmo, mas nele aprofundam-se de maneira temerária nas linhas de actuaçom de corte colonial que fam da Galiza um enorme eucaliptal ao serviço das grandes empresas.

Por um lado, as organizaçons denunciam que a Junta oculta dados reais a respeito da ocupaçom em hectares das superfícies de eucaliptos. Por palavras das organizaçons assistentes à reuniom a superfície real que pode ocupar hoje o eucalipto ascende às 500 000 hectares em todo o território galego. Especialmente preocupante é a ocupaçom de terras de prado por parte desta espécie arvórea perante a falta de alternativas e planos claros para o abandono no meio rural. A Junta actua, denunciam os ambientalistas, com critérios desfasados na hora de revisar a superfície susceptível de ser arvorada, permitindo ou promovendo a plantaçom de terrenos que nom som monte.

O “eucaliptus nitens” avança na sua colonizaçom da Galiza interior

O novo plano está elaborado com fins exclusivamente “produtivistas e florestalistas”, deixando de lado outro tipo de actividades diversas cumprem no nosso monte. Segundo o documento elaborado polas organizaçons aposta-se abertamente pola industrializaçom do monte em lugar da sua socializaçom. No caso que mais nos ocupa, nom se ponhem cotas à expansom dos eucaliptais, excedendo já no presente os limites de ocupaçom fixados para o ano 2020. Estima-se que hoje esta espécie ocupa o 17 % do território galego. Mesmo em 2016 a audiência nacional espanhola tem paralisado por ditames ambientais plantaçons de ‘nitens’ na Galiza oriental, auspiciada por Ence em Návia. O eucalipto está catalogado como espécie invasora e proliferam os chamados ao controlo e mesmo erradicaçom de outros organismos estatais ( Comité Científico de Flora e Fauna do Ministerio de Agricultura espanhol). Apesar disso, a intensa campanha propagandística do grosso dos poderes -empresas pasteiras e energéticas, corporaçons mediáticas e extrema direita governante- conseguírom até o de agora extender a espécie até o limite.

Todo um desafio para o ambientalismo e os movimentos sociais galegos que nestes momentos continuam a artelhar-se por volta da acçom directa contra um problema a cada vez mais generalizado.