Na Galiza, como em muitas outras comunidades tradicionais, o Capital primeiro trata de banir a nossa cultura para logo roubar-nos todo o demais.

A perda da identidade e do território

Os fundamentos de qualquer comunidade baseiam-se na cultura comum, que vem sendo o mesmo que a partilha de significados. Isto implica partilhar uns valores comuns, um sistema moral mais ou menos flexível no que se situa a história partilhada, as instituiçons e as referências do bom e do mau. Desenha-se umha forma e sentido da vida. Misturam-se num nó firme a atividade para a produçom material e a reproduçom simbólica do coletivo.

O pilar fundamental da comunidade é a terra. No capitalismo serôdio, o território, conceitualizado como espaço contentor abstrato, tornou-se capital: infraestruturas energéticas, vias de transporte, matérias primas, urbanizaçom e turistificaçom. Mas para essa valorizaçom do espaço é fundamental o despovoamento e a desvinculaçom territorial das populaçons. Do contrário, há opçom de resposta, o qual dificulta ou até impede o espólio. Na questom do território confluem a questom ambiental e identitária como umha só.

A “lei de depredaçom”, um pé mais da cadeira do desarrolhismo

A mina de Touro – O Pino, dúzias de parques eólicos sementados ao largo do País e mesmo em localizaçons ambientalmente sensíveis, a planta de resíduos de Casalonga, a planta de biomassa para a geraçom de energia elétrica em Cúrtis, a eucaliptizaçom massiva dos montes, os incêndios florestais, e um longo etecetera estám intimamente relacionados com a aprovaçom da “lei de depredaçom”.

Simultaneamente à aprovaçom da “lei de depredaçom” e demais legislaçom que facilitava a instalaçom de grandes industrias extrativas ou grandes exploraçom gadeiras, os governos espanhol e da Junta tomavam umha série de medidas que achanzavam o caminho às grandes corporaçons e que também provocam a necessária desvinculaçom territorial das populaçons: pechar escolas, recortar recursos nos centros de saúde, reduzir médios de transporte público, aumentar as exigências às pequenas exploraçons ganadeiras e agrícolas.

Estas medidas estám encaminhadas a dificultar o dia a dia da vida da gente que vive no rural e deste jeito provocar o seu despovoamento. Esta é causa dos elevados índices registrados na Galiza nas últimas décadas de emigraçom juvenil cara os núcleos urbanos.

Um ano desde a sua aprovaçom

A “Lei de Fomento da Iniciativa Empresarial” mais conhecida como “lei de depredaçom” polos seus previsíveis efeitos, foi aprovada em solitário polo PP no pleno do Parlamento galego o 17 de Outubro do passado ano. Esta lei amolda-se à perfeiçom ao modelo que Espanha tem assignado à nossa Terra, um território do qual extrair recursos. Relaçom característica entre a urbe e as suas colônias.