Sobre o futebol

Na foto: 22 de maio do 1988. No minuto 92 da última jornada contra o Racing de Santander Vicente Celeiro marca o gol mais importante da história do Deportivo salvando a equipa do descenso a 2-B e da mais que possível desapariçom.

Por Chema Naia/

Vaia por diante o agradecimento aos colegas que nutrem isso tam formoso que é o futebol de base galego as liçons de vida sobre tam importante configurador da cultura popular do País.

Eu realmente pouco joguei o futebol. Na primeira infância nunca me interessou demasiado, e o apego que sinto por ele iniciara-se mais tarde circunscrito a praça do lado de casa e a relativos dias no pátio da escola enquanto ia descobrindo o torce-botas que era. No plano do futebol como desporto profissional poderia-se dizer que foi um amor progressivo, dos primeiros partidos em Riazor com o velho ao regalo do carné de pavilhom que me fixo quando baixamos a segunda, “há que estar sempre quando as cousas estám fodidas” dixo agasalhando-me com duas cousas que espero cuidar para toda a vida, o carné do depor e o sentido de pertença a algo corpóreo e incorpóreo que em última instância éramos nós, e que tínhamos que cuidar.

Despois da contextualizaçom do artigo toca a exposiçom de motivos. Escrevo isto como penitência polas faltas nom suficientemente justificadas ao Depor e porque como Galeano estou farto da verborreia infantil dumha esquerda que nom se reconhece assim mesma e que ao estilo de Sanchez Dragó (rebatido magistralmente por Maldini) brama contra os milheiros de jogadores, técnicos, árbitros, integrantes de associaçons, bancadas e afeiçoados culpando das suas próprias misérias a classe trabalhadora que dum jeito mais ativo ou passivo gosta do desporto rei.

Realmente tampouco quero gerar falsas expectativas e advirto que tudo o que vou dizer já o dixo o grande de Eduardo Galeano num livro disponível em PDF na web chamado “Futebol a sol e a sombra onde o autor de “As veias abertas de América Latina” numhas 80 páginas conta a história deste deporte e a sua ligaçom com nós, a classe obreira, “futebol e pátria, futebol e povo”.

Malformando Marx alguns pretendidos intelectuais de esquerdas afirmam que “o futebol é o ópio do povo” estabelecendo um paralelismo entre olho, a instituiçom eclesiástica com propriedades, influência e um papel decisivo durante séculos na política europeia e um desporto no que para além do futebol mercantilizado está composto por equipas onde há gente organizando-se para quadrar horários do “trabalho ou tirar tempo dos estudos para preparar os adestramentos dos benjamins, ir a jogar a finde a Negreira ou preparar a merenda para levar ao adestramento da sua filha. Ridículo verdade? É duro admitir que pessoas às que se lhe presupom umha visom crítica da sociedade fam tam borda similitude com “o reino da lealdade humana exercida ao ar livre” que dizia o histórico dirigente e teórico marxista italiano Gramsci.

Na nossa Pátria nom só padecemos o vergonhento elitismo que divide de forma totalmente falaz o que é correcto e nom fazer no teu tempo livre, infantilizando a classe obreira ao dizer que o futebol “distrai”. Desde certas partes (minoritárias, mais nom por isso menos criticáveis) do nacionalismo e do independentismo galego houvo quem tivo a “jeta” de acusar ao futebol base galego e também as bancadas de contribuir ao espalhamento do espanholismo.

Realmente eu, sem pertencer a nengumha bancada, nem a nengum clube de futebol e ver a “pelotita” só desde o papel de quem vai o domingo até Riazor a tomar um par de birras, berrrar-lhe um bocado para desestressar e animar ao equipo pode ser que safe na hora que a “polícia da moral” decida repartir o cartom de bom independentista. Contra os que regalam o termo a gente como Paco Vásquez, o meme de Abel Caballero e em menor medida a gente como Xulio Ferreiro, eu declaro que o localismo é como mínimo galeguismo e que os afirmam o contrario nom tenhem nem ideia do que é a naçom galega. De repente, alguém na sua casa decide que pessoas que se deslocam ao rural ou a outras cidades cada duas fim-de-semana durante a tela de anos e polo tanto conhecem dum jeito privilegiado a idiossincrasia e o entorno de outros que som coma eles mas noutros pontos da Galiza som menos conscientes do País ca ele, que está todo o dia na casa viciando ao LOL. Subitamente “chavales”(trabalhadores a sua imensa maioria) que sacam tempo da sua vida laboral, académica e familiar para dum jeito auto-organizado e participativo animar as suas equipas, organizar debates e ou pôr faixas polos presos tenhem a culpa da falta dum horizonte político de Galiza como País, esquece-se premeditadamente que muita gente leva vendo mais de 30 anos os primeiros símbolos políticos que despertam nelas inquietude e consciência crítica num estádio de futebol, mas eu nom esqueço que na Corunha parte da minha geraçom foi a sua primeira manifestaçom umha tarde de outono de há cinco anos convocada por Açom Antifascista Corunha.

Ao final o problema nom deixa de ser a torre de marfim, essa torre tam alta a que se foi subindo a esquerda no nosso País e noutras partes do globo desde os anos 70, e que a foi isolando, separando progressivamente da sua base social fazendo que analisemos as cousas desligadas da sociedade. Realmente dizer que o futebol é capitalista e que fomenta o espanholismo é umha soberana aparvada, já que como bem sabemos a maioria das cousas nom som nem boas nem malas a priori, o futebol como desporto é um factor fundamental de socializaçom e coesom social, e nuns tempos de flagrante individualismo isto é sem dúvida positivo, também fomenta a criaçom de valores de colaboraçom e ajuda a saber gerir emoçons, lances de jogo, convivência com pessoas que pensam distinto que nós e com as que compartimos espaço através do espalhamento e o lazer. O que passa é que a esquerda pom dúzias de filtros ideológicos, organizativos e incluso pessoais para nom interagir com a classe obreira, porque no fundo quere crer-se mais lista ca ela, e opta por nom ver a realidade que se move que muitas vezes causa contradiçons porque como é o normal numha sociedade que nom é justa, a nossa classe (e polo tanto ninguém de nós se salva) atopa-se empapada polas lógicas do capital e dum modelo de País de pequenos reinos de taifas, próprio do caciquismo implantado desde há séculos que provoca a carência, as vezes, da visom da Galiza como umha unidade política, económica e social que remata fomentando rivalidades externas pola gestom da miséria que nos da o Estado, isto vesse na gestom das infraestruturas com duplicidades absurdas nos Aeroportos agindo Porto como aeroporto internacional real da Galiza ou dilapidando fundos públicos na construçom dum AVE enquanto nom temos linha de ferro até Lugo.

Galiza está assim, gostemos ou nom, polo tanto também as suas expressons de cultura popular como som o futebol amossam parte de isto, se vos resulta um horizonte pouco esperançado que saibades que hoje temos um dia de futebol para estar pegados ao transistor, desses que ia escuitando de pequeno em Carrusel Deportivo enquanto voltava da aldeia. Todos os grandes galegos (Depor, Lugo, Compostela e Celta) menos o Pontevedra que tivo partindo às 12 jogando quase a mesma hora, e como cada domingo temos En Xogo na TVG2 às 23h e para além de todo isto, futebol base e modesto ao vivo em todas as comarcas dum País que se resiste a morrer. Um vez lim numha parede com retranca “Viva er furbo” eu corrixo e com maiúsculas digo “VIVA O FUTEBOL”.