Patriarcado e escravitude moderna: o caso das temporeiras de Huelva

Redes de exploraçom sexual e laboral fixérom um inferno da vida de trabalhadoras temporeiras no sul de Espanha, Itália e Marrocos

Por Ana Macinheira /

O patriarcado confunde-se com a pura escravitude em pleno século XXI. Isso confirmam várias reportagens internacionais dedicada ao trabalho agrário feminino no sul da Europa. No passado mês de abril as jornalistas Pascale Müller e Stefania Prandi publicárom na imprensa alemá, no portal Correctiv.org,  umha reportagem de investigaçom sobre a situaçom das mulheres nos campos de recolhida da amorodo em Huelva e de recolhida do tomate em Marrocos e Itália.

Tentativa de denúncia perante o julgado e a Guardia Civil
No 1 de junho advogad@s de AUSAJ (Asociación de Usuarios de la Administración de Justicia) tentam pôr umha denúncia no julgado de instruçom de Palma del Condado (Huelva) referida a mais de 100 temporeiras que a empresa tinha encerradas contra a sua vontade precisamente para nom denunciarem a situaçom de abusos sexuais e laborais às que vinham sendo sometidas. O julgado nega-se a recolher a denúncia, e as advogadas recorrem à Guardia Civil de Almonte, onde entregam os dados pessoais das mulheres que a querem interpor.


Três días depois, coa ajuda da Guardia Civil todas as trabalhadoras que se
achavam na listagem de dados som forçadas a subirem a um autocarro com destino Marrocos, a “excepçom de um pequeno grupo que fugiu e às que nom puido capturar a Guardia Civil e os empregadores” as quais “comparecem e apresentam denuncia ante a Inspecçom de Trabalho em Huelva, fa-no em nome próprio e no das trabalhadoras que nom puidérom comparecer”.

Abusos laboráis e sexuais
De
sde o primeiro momento as jornaleiras puxérom de manifesto nom só que nom lhes fora entregada umha cópia do seu contrato de trabalho, nem receberam os seus salários, nem sequer puideram conhecer as suas próprias nóminas (…) senom as terríveis condiçons nas que se lhes obrigaba a viver e os abusos  sofridos, que vulneravam a sua dignidade (e a de todos)” afirmam dende AUSAJ.

Assinalam de AUSAJ que estas mulheres forom “forçadas -mais que inducidas- à prostituciçom mediante coacçom, na que jogava um papel principal a fame, e todo coa chatagem no fondo: “os vídeos imos-lhos mandar às vossas familias a Marrocos”.

Denunciam que o julgado impediu o acesso às diligências judiciais, porem os empresários sabiam o contido das mesmas. Dados que presumívelmente usaron para intentar engañar à denunciantes “Fala com elas a ver se as convences para que retirem aquilo”; também salientam dende AUSAJ que “tampouco conseguimos o propósito buscado de que se investiguem estos graves feitos e se ativem os Protocolos de atuaçom em prevençom da Trata de Pessoas, nim acudindo à Brigada Central de la Unidad de Redes de Inmigración y Falsedades Documentales, UCRIF, nem às suas Brigadas Provinciais, nem ante a própria autoridade governativa –ante a que também instou a aplicaçom do Protocolo”. Perante esta situaçom, o pasado 31 de julho  “as dez trabalhadoras denunciam por presuntos delitos de trata de pessoas  e de lesa humanidade ante os Julgados Centrais de Instrucçom da Audiencia Nacional , por entender este órgao como o competente dado o caráter  trasnacional que apresentam os feitos”. O caso está a ser atendido polo juiz Pedraz que considera que apresenta  “características que fam presumir a posível existência de infraccçom penal”.

Crowdfounding solidário

AUSAJ abriu um crowdfounding para as trabalhadoras poderem mandar dinheiro às suas familias, e aos seus filhos.  Até o momento levam recadado arredor de 15000 euros. O aloxamento e manutençom tenhem-no garantido de momento com apoio do Sindicato Andaluz de Trabalhadores (SAT) e a Asociación de Usuarios de la Administración de Justicia. Ambas entidades manifestárom que por enquanto fica fora das suas capacidades garantir que as mulheres envolvidas no caso de exploraçom podam enviar dinheiro aos seus filhos e filhas.