Dominados e dominadores no campo dos jogos populares

Banquete de Conjo, celebrado na Compostela de 1856, onde umha emergente intelectualidade estreita relaçons com as classes subalternas

Por Andrés Domínguez (adaptaçom ortográfica do galizalivre)  /

Se quisermos estabelecer o grao de imbricaçom dos jogos entre os distintos grupos sociais há diversos fatores que dam pé a pensar com certo fundamento que a prática dos jogos populares no século XIX forma parte exclusiva do patrimônio da cultura popular.

Esta asseveraçom fica afiançada principalmente sobre três feitos:

Primeiro, som os setores sociais denominados populares -de forma mais certa classes ou grupos subalternos- os que mantenhem, ainda que com matizes, até bem avançado o século XX a prática de parte dos jogos procedentes do passado. Mas este feito, a pesar de confirmar a pretérita relaçom do jogo coas classes subalternas, nom elimina a possibilidade dumha participaçom nos retos por parte doutros coletivos melhor situados na escala social, costume que com posterioridade poderia ter sido ser abandonada.

Segundo, distintas descriçons da época ou posteriores tendem a vincular, ainda dum jeito moi superficial, no âmbito das competiçons físicas autóctones tanto a labregos como a diversos grupos urbanos, assiduamente englobados baixo termos como o manido “sencillas gentes”, trás o que se agacham, sem dúvida, trabalhadores a jornal, serventes de casas e negócios e artesás de baixa condiçom.

E terceiro, nessas mesmas descriçons, nas que evidentemente nom há umha vontade de ilustrar o leitor sobre a implantaçom social dos jogos, assim como na prensa, publicaçons diversas e criaçons literárias do século dezanove, que com certa maneira refletem hábitos e costumes, percebe-se um afastamento respeito à participaçom direta nos jogos, tanto dos tradicionais grupos privilegiados coma dos que surgem ou emergem no âmbito urbano, onde as burguesias que tenhem parte dos seus interesses afundidos no caduco sistema foral até funcionários, industriais, comerciantes, profissionais liberais, jornalistas e incluso estudantes. Alguns destes últimos serám futuros intelectuais que, como faz E. Carre, evocam na sua madureza a Galiza do passado, rememorando a época da sua infância e mocidade na que assistiam a contemplar com curiosidade a prática dos jogos populares.

Em linhas gerais, estes grupos sociais heterogêneos nem misturados coas classes baixas nem em ambientes mais íntimos semelham participar em umhas competiçons físicas populares às que nom precisam recorrer para estabelecer diferentes marcos de relaçom e sociabilidade. Cousa bem distinta é que, ademais de amossar umha tolerância e incluso um interesse cara a elas, podam exercer, quando a ocasiom assim o demande, polo menos duas funçons. A primeira delas poderia-se qualificar como de patrocínio, favorecendo com médios materiais a posta em prática dos jogos, por exemplo, com o feito de financiar o premio da disputa. A segunda, o desempenho de certos labores de controlo, assegurando-se de que os retos, desafios ou competiçons se ajustem a determinadas normas de conduta.

No referente ao patrocínio, exercesse tradicionalmente em certos acontecimentos festivos que congregam o conjunto da sociedade, como acontece nas romarias nas que se celebram as carreiras do pam ou da fogaça, valioso troféu doado neste caso polo administrador e representante de umha instituiçom rica e prestigiosa como a Igreja. Esta vontade das elites ou das instituiçons de patrocinar as expressons lúdicas da comunidade tem a sua translaçom à sociedade urbana do século XX. Assim, ainda que o contexto seja outro, quando começam a arraigar os desportos, os organizadores do evento desportivo recebem ou demandam ajudas econômicas dos considerados pró-homens locais ou de prestigiosas associaçons ou instituiçons. Isto pom-se de manifesto, entre outros acontecimentos, quando no Vigo de 1887, ante a celebraçom dumha importante competiçom ciclista, se solicitam prêmios aos presidentes das principais sociedades de recreio e culturais, assim como ao diretor do banco de Espanha na cidade.

A segunda via de relaçom cos jogos dos grupos sociais nom enquadrados entre os denominados subalternos pode-se apreciar no cenário costumista compostelá na que se representa o cruento passatempo conhecido como jogo da pita.

Além dos participantes diretos, vestidos grosseiramente, existe um grupo de homens distinguidos polas suas elegantes roupas acordes coa moda da época. Estes seguem a evoluçom do jogo sentados trás umha mesa, apreciando-se que estám a exercer um labor de jurado. Este feito, ademais de indicar um jeito de participaçom diferenciada na prova, adverte também da existência dum tribunal que, ademais de constatar ou clarificar quem é o ganhador, assiste polo cumprimento das normas acordadas para o adequado desenvolvimento do jogo.

A participaçom nos jogos mediante relaçons de patrocínio e arbitragem pode ter diversos significados sociais dependendo dos distintos grupos que o levem à prática. Assim, para a fidalguia rural ou urbana, e outros setores que adotem seguir o seu velho sistema de dominaçom, possivelmente seja umha forma mais de por de relevo um eficaz paternalismo. Mas no extremo oposto, talvez para alguns coletivos emergentes nas cidades, dos que a histografia indagou a sua face mais política –situando umha parte significativa deles no liderado de movimentos enfrentados a umha realidade caracterizada polo moderantismo e o conservadorismo-, seja umha estratégia para estabelecer vínculos com as classes subalternas.

Um claro exemplo deste achegamento é o famoso Banquete de Conjo, celebrado na Compostela de 1856 auspiciado por umha emergente intelectualidade, mediante o qual, desde um posicionamento contestatário, democrático e romântico, se tendem pontes políticas e se estreitam relaçons com os trabalhadores manuais. De aí que nom se deva descartar a hipótese de que o propagandístico e solidário ato levado a cabo em Conjo poda ter paralelismos com outros mais assíduos e discretos, inseridos em um extraordinário marco de relaçons como é o eido dos jogos.