A exploraçom laboral de sempre disfarçada de empreendimento

Os repartidores da empresa Glovo trabalham como falsos autónomos. Exemplo de empreendimento

Por Antia Seoane /

Umha simples pesquisa na rede sobre a criaçom de novas empresas na Galiza devolve uns resultados que se poderiam agrupar em dous grupos bem diferenciados. Por um lado temos umha série de novas publicadas nos últimos meses nos grandes médios de comunicaçom empresariais com cabeçalhos do tipo: “A criaçom de empresas em Galiza descende no mês de Maio um 15,4 %”, “Na Galiza baixa a criaçom de empresas, que ademais nascem ainda mais pequenas”, “A criaçom de empresas baixa um 7,7 % em Fevereiro em Galiza”.

Por outro lado temos umha elevada quantidade de páginas que fazem publicidade sobre ajudas públicas para a criaçom de novas companhias no nosso País, como por exemplo as ajudas do IGAPE (Instituto Galego de Promoçom Económica) para atividades non agrícolas em zonas rurais. Estas mesmas páginas, além de publicitar este tipo de ajudas também difundem umha série de iniciativas encaminhadas na mesma direçom, a constituiçom de novas sociedades: Unidade Galicia Emprende, Programa 2Work com espaços Coworking, programa ACEint empreender sem fronteiras para o empreendimento internacional, programa VIA Galicia para o aceleramento de empresas e empreendedores, rede Mentoring, rede galega Bussines Angels, prêmios Empreendedor XXI, jornadas de formaçom Galicia Emprende, e um sem fim atividades mais, todas elas financiadas com recursos públicos.

Os dados

Segundo os dados publicados no IGE, em Galiza existem um total de 250.548 empresas (dado referente ao ano 2016). Entre elas um 68 % do total nom tinha pessoal assalariado e um 18 % apenas tinha umha ou duas pessoas assalariadas. No ano 2017 existiam um total de 213 mil trabalhadores autónomos, quase 2.500 menos que no ano anterior. E durante o ano 2017 criaram-se em Galiza um total de 4.129 novas sociedades mercantis, das que 4.073 eram sociedades limitadas. Esta cifra supom umha criaçom um 10 % inferior em relaçom à registrada ano anterior. Por último, pouco mais da metade das empresas constituídas, o 52,8 %, alcançam a sobreviver quatro anos.

Estes números refletem que as ajudas e as iniciativas antes mencionadas nom som efetivas e nom cumprem a funçom para a que teoricamente forom concebidas.

O discurso ideológico

Todas estas açons de promoçom do empreendimento que financiam os diferentes organismos públicos, nomeadamente o IGAPE e a Xunta, nom tenhem como objetivo principal a criaçom de empresas senom que em realidade estám encaminhadas a espalhar a ideologia liberal. Reforçam assim o discurso neoliberal do empresário feito a sim próprio, onde cada quem pode prosperar economicamente se quere, se realmente se esforça. O Estado apoia-te com estas ajudas se te queres esforçar, e portanto, se fracassas es tu o único responsável.

Este discurso invita também a reinterpretar a precarizaçom laboral atual para vê-la como umha boa nova, como umha oportunidade para rachar com a monotonia (estabilidade laboral) que proporciona um posto de trabalho indefinido. Agora tens a possibilidade de buscar o teu caminho, de criar a tua empresa, sem chefes, de realizar-te, de viver muitas vidas. Assim, a exigência de disponibilidade total e flexibilidade de horários que demandam em muitos trabalhos também é vendida como umha oportunidade.

Todo este discurso idealista que promove a transformaçom da realidade desde a subjetividade, tem como maior exponente a figura do empreendedor. A precaridade laboral de sempre disfarçada de oportunidade.