De marés e pesos mortos

Dirigentes de Unidos Podemos trás o fracasso nas eleiçons de Junho de 2016

Por César Caramês /

A crise de regime que atravessamos parece descobrir já o percurso polo que se ham alancar os seguintes passos. Pedro Sánchez representa o bálsamo salvador para o pear suave do sistema turnista do 78. Casado e Rivera encenam umha pugna polo pear duro que serve para fascistizar a opiniom pública ao tempo que ampliam a representatividade eleitoral em duas opçons, tradicional e inovadora, unificadas depois na prática política. Após a derrota de Errejón, da manobra sanchista no PSOE e do 1 de Outubro, Unidos-Podemos precipita-se cara ao espaço histórico de IU-PCE no esquema tradicional da II Restauraçom Borbonica.

A tentativa podemita de aproveitar o 15-M canalizando-o para o eleitoral, seguindo as teses de Laclau, bateu contra a reacçom Ciudadanos, os lastros paquidérmicos de IU e a própria resposta mediática e orgánica do regime. Porém, igual que os seus modelos kischneristas dessecárom o movimento piquetero dos bairros nado co Corralito, também eles murchárom os frutos auto-organizados do 15-M e, por riba, sem atingirem o governo. Longe de partidos-movimento, os círculos acabárom em anzóis que pescárom militância para um modelo piramidal clássico dirigido ao institucional. Mália as boas intençons, sem movimento popular respaldando nem meios de comunicaçom contra-hegemónicos reais, a vitória eleitoral sobre o turnismo borbónico voltou-se demonstrar impossível. A própria arquitectura do regime foi desenhada para esta irreformabilidade e a dependência eleitoral do seu monopólio mediático ridiculiza qualquer tentativa de hackeio desde dentro em chave estatal centralizada.

Mas daquela estoupou Catalunha no maior desafio ao parlamentarismo borbónico até o momento. E endebém, o social-chauvinismo do que falava Lenine retratou mais umha vez o oxímoro esquerda-espanhola auxiliado por um pragmatismo eleitoral delator das carências estratégicas. A defesa da integridade da Pátria na que nos incluem a todas com eles como centro pesou mais que a desestabilizaçom do poder do regime. Igual que a social-democracia apoiara por “patriotismo” crítico cadansua oligarquia nacional na I Guerra Mundial, igual que a progressia metropolitana respaldara os seus poderes coloniais contra as luitas de liberaçom, também a esquerda espanhola condenou por responsabilidade o Procés democrático catalám.

Por isso, se se alinham co regime contra o seu maior desafio real, a mais importante desobediência civil massiva em 82 anos; se resulta impossível derrotar eleitoralmente o turnismo a nível estatal, mas nom a nível nacional e local; se voltam abraçar o papel de esquerda minoritária de perrencha e bandeira que o regime lhes assinou para aparentar pluralismo; se se demonstram abertamente incapazes e desinteressados em construir movimento popular real; se exercem e propagam a mesma alienaçom colonial cara ao nosso povo que o resto do espanholismo e até folclorizam o direito a decidirmos sós; se no horizonte já se lhes enxerga umha malheira eleitoral antológica perdidos os espaços do discurso “populista” e de “nova esquerda”; se imolam a representaçom do nosso país ao altar da sua agenda espanhola… Desde Galiza, sem acritude e além mesmo do soberanismo, como eles querem. Apenas como simples opositoras ao regime borbónico de La Manada, Juancar, Rajoy, Villar-Mir, Baltar, ENDESA, Borrell ou Villarejo: quem pode desejar guindar-se a maré de mudança nengumha anoando-se a semelhante peso morto?