Greve de agentes florestais patenteia péssimas condiçons técnicas e laborais na luita contra os lumes

Por Jorge Paços /

No passado 24 de Maio, o sector de agentes florestais e meio ambientais dera um primeiro aviso à Junta com umha manifestaçom em Compostela: trabalhadoras e trabalhadores padecem abussivas cárregas horárias, som discriminados salarialmente e tenhem dificuldades para a conciliaçom. Dous meses depois, e ante a ‘surdeira’ autonómica, começa umha greve que pretende respostar a ‘oferta miserável’ da Junta na mesa negociadora.

Como comprovamos recentemente no caso da greve da justiça, a precarizaçom laboral alcança já os trabalhos considerados mais seguros e estáveis. Em pleno verao, e baixo a ameaça muito real dos lumes, agentes florestais e meio ambientais chamam a atençom sobre umha realidade adoito esquecida : as pessoas responsabilizadas por minimizar os efeitos destrutivos do fogo carecem de condiçons de trabalho dignas.

Agentes meio ambientais, à espera

Onte mesmo soubemos que os agentes meio ambientais paralisavam temporalmente a greve, desde que a falta de revisom dos seus serviços mínimos faziam inseguro o trabalho dos que tivessem que acodir ao seu posto.

Pola contra, os agentes florestais iniciam hoje a sua greve, com o apoio do sindicato nacionalista CIG, e da corporaçom espanhola UGT. Trás encontrarem-se com os responsáveis da Conselharia de Meio Rural na mesa negociadora, as representantes do sector entendem que a proposta da Junta é pior do que insuficiente. Entre outras carências gritantes, os trabalhadores florestais nom vem se vem beneficiados para o estabelecimento da idade da reforma : isto é, apesar de desenvolverem um ofício marcado pola penosidade, a toxicidade e a turnicidade, a Junta nom reconhece os coeficientes redutores da jubilaçom ; tampouco nom se assume a equiparaçom salarial com outros estamentos de assalariados autonómicos, e força-se os agentes a trabalharem mais horas em jornadas abussivas : a Junta pretende que numha jeira de seis meses, as trabalhadoras padeçam jornadas de até doze horas, que conduzem ao esgotamento e danam a qualidade do serviço anti-incêndios.

Propaganda ‘militarizadora’

Para calibrarmos a gravidade da situaçom, levemos em conta que a Junta destina a prática totalidade da luita contra os incêndios aos labores de extinçom ; isto é, confia que a soluçom ao crónico problema dos lumes se ponha no desdobramento de recursos humanos e técnicos quando as lapas se ponhem em acçom. Mas mesmo essa pretensom se revela falsa. Segundo fontes da CIG, os mais de cinco milhons de euros esbanjados polo governo autonómico na última década na chamada ‘operaçom Sentinela’ -com apoio do exército- nom derivárom em nenhuma eficácia. As cifras falam por si sós.

Quanto a possibilidade de fazer viável a estratégia de extinçom com um sector florestal mal pago, esgotado pola cárrega horária e discriminado face outros estamentos, a resposta está dada de antemao. Os agentes denunciam que a Junta rejeita focar os orçamentos para tarefas tam elementais como o mantimento do monte ou o desbroçamento de pistas florestais, que poderiam evitar males maiores.

O problema de fundo, impensado

E como analisava este portal antonte no respeitante ao problema do transporte e as infraestruturas rodoviárias na Galiza, a desfeita dos lumes ficará sem abordar na sua fondura desde que se continue a ignorar o assunto central : um modelo económico baseado no ‘deserto verde’, isto é, no monocultivo de pasteiras ou biomassa num território inabitado. A aposta da direita espanhola neste sentido -com umha fusom absoluta do empresariado florestalista e os seus servidores políticos- condenam o problema a eternizar-se, agravando-se com os veraos ‘africanos’ que traz o efeito estufa.

Apenas umha massiva volta ao rural com afám de produçom diverso poderia reverter o processo de destruçom dos nossos montes.