Tour de França, o negócio que nom se quer ver

Por Armando B. Ginés (traduçom do galizalivre) /

O ciclismo profissional move paixons. Especialmente o Tour de França e, em menor escala, o Giro de Italia e La Vuelta a Espanha. Mas sem as retransmissons em televisom nenhuma empresa comercial iria gastar um euro neste desporto que centra a sua agenda entre Maio e Setembro, médio ano onde os patrocinadores devem rentabilizar ao máximo os seus investimentos em publicidade.

Apesar da épica cantada por centenas de comentaristas, detrás do ciclismo de alta competiçom há, acima de tudo, negócio, puro marketing que apenas busca que as equipas acaparem minutos nos ecrãs de TV e nos principais médios através dos feitos heroicos dos seus corredores.

E o ciclismo é por excelência o desporto com maior incidência de suspeitas e casos de fraudes devido ao uso de substâncias dopantes proibidas regulamentariamente. Os principais ciclistas som obrigados a rendir, muitas vezes, por acima das suas possibilidades orgânicas. É a lei capitalista do lucro extremo: as casas comerciais nom dam o seu dinheiro de forma altruísta. E os corredores, trabalhadores sujeitos a um contrato e a expectativas e resultados concretos, tenhem que alcançar os seus objetivos como seja.

Provavelmente, a maioria das estrelas de ciclismo geralmente nom som os responsáveis diretos de ingerir com pleno conhecimento de causa medicamentos ou compostos biológicos ou químicos nom permitidos para melhorar o seu desempenho na estrada. No entanto, o seu entorno técnico e os próprios profissionais da bicicleta vivem sob uma pressom ambiental que pode afetar na sua vontade, talvez de jeito subliminar ou inconsciente. A renovaçom dos seus contratos depende dos resultados obtidos na competiçom desportiva.

Vários casos de doping descobertos internacionalmente, que pode ser apenas a ponta do iceberg ilegal, apontam para a tese aqui defendida: o ciclismo profissional é um negócio e um investimento em publicidade das casas comerciais. Manda a rentabilidade. Os desportos, como tal, importa-lhes um caralho, sendo umha simples desculpa ou plataforma para levar a cabo as suas estratégias de marketing.

O ciclismo também oferece umha imagem de autenticidade e esforço individual louvável mediante a epopeia de cada ciclista luitando contra o tempo, as montanhas e as inclemências meteorológicas, um formato ou relato idealizado pola literatura que exalta como heróis de limpeza e ingenuidade total a todos os membros do pelotom profissional. Essa lenda forjada historicamente intérpretes do desporto puro faz com que muitas marcas ponham a sua atençom no ciclismo como um suporte de vendas mui apropriado para penetrar simultaneamente com sucesso nos mercados gerais em vários países através das conexons de televisom e rádio em direto e as reportagens posteriores em vários meios de comunicação de massa.

Umha longa escapada, a vitória de umha etapa, a liderança por várias jornadas, o prémio à combatividade, coroar o primeiro porto mítico de montanha e sprints intermedios nas metas volante som alguns momentos especiais em que o nome de umha casa comercial é pronunciado após o nome de um ciclista de forma insistente e repetitiva, servindo como um impacto publicitário valorado em milhons de euros. Estos inventos das organizaçons das corridas de ciclismo obedecem a critérios estritamente comerciais. Os corredores sabe-no e som utilizados nas denominadas estratégias desportivas como instrumentos publicitários para divulgar e rentabilizar os gastos realizados pola marca que paga os seus salários.

O anverso positivo do ciclismo mostra o rosto exausto do herói de turno luitando contra os seus próprios limites físicos, enquanto o reverso que nom se vê a simples vista esconde os interesses capitalistas das empresas que movem os fios do ciclismo profissional à vontade. Mesmo os traçados prévios das mais famosas rondas ciclistas (Tour, Giro e Vuelta) tenhem a sua razom de ser para igualar ou primar, conforme indicam ou sugerem os patrocinadores mais fortes, aos ciclistas de maior relevo que vaiam disputar as competiçons citadas. Nom se trata de dar um espetáculo melhor, mas de oferecer ao negócio um suporte adequado às suas expectativas e interesses comerciais.

Os ciclistas som meros assalariados. Também as figuras mais brilhantes. Muitos deles se tornam em mitos que se podem vir abaixo da noite para a manha por umha substância proibida encontrada no seu sangue. Tal circunstância nom importa muito para as marcas patrocinadoras. O que fica destruído é a história do herói caído em desgraça, mas antes as suas conquistas desportivas permitirom um impacto publicitário de primeira magnitude. Portanto, já foi exprimida a tope a sua ressonância pública. E sempre se pode criar novos heróis para o negócio ciclista. Talentos e jovens promessas nunca faltam.

O importante é que a estrutura competitiva saia ilesa e que os interesses ocultos dos patrocinadores nom sejam conhecidos na sua plena dimensom capitalista. Acontece de maneira muito semelhante em outros setores laborais. Se um aviom cai, a falha é geralmente do piloto. Se um trem descarrila, o maquinista será o culpável. Se um edifício se desmorona, o albanel que colocou o tijolo é o causante da catástrofe. O elo do simples trabalhador é sempre o mais fraco da cadeia, salvando assim as deficiências da estrutura do sistema capitalista.

Está claro que a maioria dos desportos de massa tehem umha sujeira estrutural de enorme profundidade que nunca é investigada ou que sai pontualmente nos médios. Principalmente o futebol, com casos de corrupçom e compra de jogos na Itália e na Espanha. Além disso, sempre ganham os mesmos: Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Manchester United, Chelsea, Milan, Juventus e quatro equipas mais. Os grandes clubes som poderosas multinacionais que dominam o mercado do futebol e levam os contratos de televisom mais astronómicos, deixando as migalhas para os demais.

Quase todo é falsificado no desporto de elite. O dinheiro move montanhas. E anota tantos desde os escritórios desalmados dos diretivos profissionais que representam os interesses e os objetivos particulares de marcas e multinacionais com muito poder financeiro. A façanha desportiva nom é mais do que umha isca ou subproduto para incendiar às massas enquanto se lançam as mensagens ideológicas e comerciais das empresas patrocinadoras com a máxima subtileza e menor risco possível.

Além do lado comercial, os desportos de massa desempenham um papel essencial no controlo político. Ver umha etapa de montanha ou umha eliminatória da Liga de Campeons consome demasiada energia mental para pensar em excesso em questons sociais e políticas. Nom há desporto puro ou inocente na sociedade atual do espetáculo.