Galiza está à cabeça no consumo de antidepressivos e tranquilizantes

Por Antia Seoane /

Segundo os dados publicados recentemente polo Inquérito Nacional de Saúde as pessoas que no nosso País tomam antidepressivos incrementarom-se praticamente em um 50 % em apenas cinco anos. Se no ano 2012 eram 150.900 pessoas as que consumiram este tipo de medicamentos nas duas últimas semanas prévias ao inquérito, no ano 2017 esta cifra aumentava até as 226.100. É dizer, umha de cada dez pessoas adultas precisa medicar-se contra a depressom, umha percentagem que duplica a média estatal.

A esta cifra também há que somar as 399.400 pessoas que consumem com frequência (polo menos umha vez cada duas semanas) tranquilizantes, relaxantes ou pílulas para dormir. Este dado incrementou-se no mesmo período em 74.500 pessoas o que supom um incremento do 23 %. Assim, umha de cada seis galegas, o 15 % do total, toma esta classe de drogas. Com estes dados Galiza situa-se líder no consumo de psicofármacos no Estado Espanhol.

Possíveis causas

Estas cifras deitam luz sobre o processo de pauperizaçom da saúde mental que está a sofrer a populaçom galega durante os últimos anos, e que coincidem com o período mais duro da crise econômica.

O aumento do desemprego e do trabalho precário incide no incremento dos casos de depressom, angústia, transtornos psicossomáticos, e mesmo provoca o empioramento de numerosos transtornos psicossociais, como por exemplo o aumento dos índices de alcoolismo e de suicídios, de ruturas familiares, ou a diminuiçom do rendimento escolar das crianças das pessoas afetadas.

Além disto, o feito de Galiza ter um índice de envelhecimento elevado também explica que alcance umhas cifras tam elevadas em comparaçom ao resto do Estado, devido a que existe umha prevalência de transtornos depressivos nas pessoas idosas que vivem soas.

De mal comum a problema individual

“Se nom encontro trabalho é porque nom o mereço. Eu som único o culpável da minha situaçom.” Esta é a conclusom à que chegam os parados de larga duraçom quando já perderom a autoestima. A individualizaçom do sofrimento produzido pola crise, convencendo à gente parada da sua vulnerabilidade e da sua responsabilidade a respeito da sua mala situaçom laboral, evita qualquer estrategia coletiva.

O discurso que se impom desde os média força a ideia de que o único jeito de brigar contra a crise social é desde o esforço pessoal e desde o individualismo, e isto requer ocultar a consciência de classe. A consciência de classe é, era, a confiança, a sororidade, a reciprocidade que imperava nas relaçons pessoais entre a classe trabalhadora e que facilitava a acçom coletiva na procura de um bem comum. A consciência de classe é o único remédio que amortígua a vulnerabilidade individual e aumenta a resistência frente a depressom por motivos laborais.

Por tanto, o discurso do Poder despolitiza a crise e encaminha-nos a acudir a umha consulta psiquiátrica em lugar de a um sindicato. Já na consulta, o terapeuta diagnosticara-nos a correspondente patologia e receitara-nos os melhores antidepressivos, ao tempo que evita que nos organizemos.