Fernández Albor, símbolo da reconversom autonomista do franquismo na Galiza

Com a autonomia de Fernández Albor, as elites galego-espanholas continuárom a ostentar o poder que ganharam no franquismo

Por César Caramês /

Primeiro presidente dumha autonomia galega aprovada porque sim, com apenas o respaldo de menos da quarta parte do censo eleitoral galego, Gerardo Fernández Albor há ser revestido de galeguismo folclórico nas homenagens que o aguardam.

Nascera no ano da revoluçom russa entre as estarrecidas classes médias coloniais da Compostela agitada de começos do XX. Como era costume entre elas, quijo-se prestigiar estudando medicina. Porém, aquele medo insuflado desde cativo cara aos de abaixo organizados transformou-se-lhe quando cumpriu em devoçom fascista pola Espanha cristá em perigo, era 1936. Foi daquela quando detivo os estudos para se unir ao fascismo espanhol sublevado. Enquanto os seus camaradas passeavam o alcaide nacionalista de Compostela, Anxel Casal e fusilavam o jornalista independentista Joám Jesus Gonçales em Boisaca, vizinhos seus canda muitos outros assassinados, Gerardito chegava a alférez com apenas 21 anos. Para matar mais e melhor foi-se formar à Alemanha nazista como piloto entre os mesmos que arrasárom Gernika.

Ao cabo da guerra, da que voltou premiado como tenente alférez, recuperou a angueira do prestígio profissional e chegou a especialista em Cirurgia Geral e digestiva e a fundar o centro privado La Rosaleda em Compostela.

Numha cidade em que o pinheirismo seduzia mediante a aura da intelectualidade a elite local dos 50 e 60, Gerardo deixou-se engaiolar polo seu engado. Assim, colaborará com a Penzol e enfeitará o seu vocabulário com as nadarias identitaristas do culturalismo mais colonial de aí em diante.

Contodo, há ser esta tona de regionalismo culturalista a que o vire o candidato idóneo quando Fraga o chame para presidente da autonomia galega. Detrás desse identitarismo “bem entendido” cabiam as lealdades caciquis dos mercaderes de votos, o roubo do património público institucionalizado, o apoio regionalista ao regime espanholeiro e mesmo o respaldo da máfia narcotraficante local. Era a fórmula mágica que há adoptar Fraga umha vez que se fane o segundo governo de Albor com o lizgairo tripartido de González Laxe.

Os derradeiros anos do ex-presidente transcorrérom gozando da tradicional recompensa que o regime espanhol reserva para os seus sócios fiéis no CURSUS HONORUM celtibérico. Após dez anos de eurodeputado, posto no que aterrou já como presidente da Comissom de Exteriores do Parlamento Europeu, foi o primeiro ex-presidente em solicitar o seu ingresso no Conselho Consultivo da Xunta. Por esse posto ao que nom acudia a trabalhar, percebeu 60.000 euros anuais além dos seus outros ingressos.

Nestes dias em que se ham ateigar de panegíricos mercenários portadas e telejornais roubados, cumpre lembrarmos que é Albor a face mesma da dominaçom e perpetuaçom do regime na Galiza. Foi baixo o seu governo quando se expulsou os deputados soberanistas do parlamentinho e quando se cimentou a engrenagem caciquil da máfia eleitoral actual. Por isso gabar protocolariamente a figura do morto resultaria inadmissível para qualquer umha que se reclamar herdeira do mesmo Castelao que ele profanou em 1984 num acto publicitário do regime rematado em repressom brutal. Lembremos isso e os mortos de Gernika, pola contra, quando a terra o devore.