A irrealidade da “Transiçom Energética”: dous aspectos

Por Casdeiro.info (traduçom do galizalivre) /

Com a constituiçom dum ‘Ministério para a Transiçom Ecológica’, o PSOE aposta às claras polo capitalismo verde e apregoa a ideia dum futuro sostível baseadao nas energias renováveis. É tal cousa possível? Reproduzimos artigo do decrescentista Manuel Casal Lodeiro, que pom seriamente em causa esta opçom dentro da crença no ‘crescimento perpétuo’.

Ao nos falarem em Transiçom Energética estám a transmitir a ideia de ser factível passarmos dum modelo (metabolismo) sócio-económico baseado no petróleo a outro modelo (de semelhantes ou maiores dimensons, mesmo) baseado em energias renováveis. Quer dizer, manter os mais de 150000 Twh anuais (ou, expressado noutra unidade, quase 15000 milhons de toneladas -equivalentes- de petróleo) mas fornecidos a partir de renováveis, que por enquanto apenas suponhem o 9 % a nível mundial. Este alegado objectivo tem dous componhentes : 1º) mesmo ou maior metabolismo, e 2º) baseado em renováveis.

Existe um problema fundamental para dito objectivo ser verossímil : todas as anteriores transiçons energéticas do metabolismo das civilizaçons humanas requerírom, quanto menos, médio século para se realizarem. Aliás -e este é um factor crucial para a sua viabilidade- fôrom completadas quando ainda a anterior base energética estava no seu apogeu. Isto é, ao se passar da biomassa ao carvom, havia biomassa avonda para alimentar energeticamente a transiçom ao carvom ; ao se passar a umha sociedade baseada no petróleo, havia carvom avondo para alimentar a nova transiçom…mas agora temos o problema do petróleo, base energética sobre a que se construiu a civilizaçom moderna, está no seu debalar : o teito da extracçom mundial do petróleo cru foi em 2006, segundo reconheceu a Agência Internacional da Energia. E ainda quando quigermos tomar como referência todos os combustíveis líquidos assimiláveis ao petróleo (o que é pouco rigoroso, desde que os pseudo-petróleos nom som equiparáveis nem em uso nem em taxa de retorno energético), estaríamos a falar dumha meseta ondulante de extracçom máxima que se vem prolongando desde 2015 aproximadamente até hoje. De fazermos a resta havemos ver que deveríamos ter começado a Transiçom Energética…entre 1956 e 1965 ! Agora, em 2018, e -com muito- demasiado tarde. Nom se pode fazer umha transiçom energética quando a fonte energética principal actual está a começar o seu debalo.

Logo, o único que se poderia fazer nesta situaçom seria variar o outro componhente : o tamanho do metabolismo civilizatório. Quer dizer, já que nom é factível umha transiçom energética, realizar umha diminuiçom energética (ordenada) até umha dimensom sócio-económica que puidéssemos manter com as limitadas fontes renováveis disponhíveis. Recordemos que ainda que as energias renováveis puiderem aparecer em si mesmas como ilimitadas (radiaçom solar, tipicamente), a capacidade que temos de captá-las e utilizá-las tem múltiplas limitaçons insuperáveis.

Logo, a chamada Transiçom Energética é singelamente impossível. Conviria melhor falarmos dum decrescimento, declive ou diminuiçom energéticas, e em consequência, da dimensom e complexidade do nosso metabolismo social. Em paralelo, a sostibilidade (do sistema actual) é inviável, e conviria, como aconselha Dennis Meadows procurar no seu lugar umha maior resiliência para resistirmos com o menor trauma possível as consequências de tal diminuiçom a um nível de uso de energia muitíssimo menor.