O G-7 e a OCS: explicando o mesmo final de dous contos

As tensons no interior do G7, cada vez mais evidentes

Por elterritoriodelince (traduçom do galizalivre) /

Mais umha vez o alfa e o omega, o começo e o fim. No outro dia nom tivem tempo de explicá-lo, logo fago-o agora com um certo vagar. A Organizaçom de Cooperaçom de Shangai nom é o futuro, é o presente. O G-7 nom é o presente, é o passado. Assim de singelo.

 

O cúmio do G-7 foi um fracasso, o do OCS foi um sucesso. Os dous encontros nom fixérom mais do que apresentar a realidade, o que também reconhecem as próprias estruturas nas que alicerça o G-7, como o Fundo Monetário Internacional. Este gráfico é de Abril e é muito mais esclarecedor que qualquer palavra.

Quando se vive de sonhos coloniais só a custo se assume a realidade. Mas a realidade é-vos a que é, e o mesmo que nom se pode deter a maré, tampouco nom se pode evitar a decadência. Ocidente sabe que a eterna juventude nom existe, ainda que leva uns quantos anos tencionando resistir-se à ideia. A hegemonia ocidental é fumo de palha, e em geopolítica tem data de caducidade : o 2025. Todo o que está a fazer, por umha parte e por outra, vai nessa direcçom. Uns, para o acelerar ; outros, para o evitar. No 2025 vai estar operativa a prática totalidade da Nova Rota da Seda, com todo o que isso conleva, e nomeadamente, a desdolarizaçom da economia mundial. Eis o fim de Ocidente.

Os documentos aprovados nas cimeiras som totalmente antagónicos.

O G-7 (G-6, desde que os Estados Unidos nom assinárom) é a reiteraçom de mais do mesmo: a Rússia ameaça a segurança do mundo, tem que deixar de apoiar o governo sírio, tem que deixar de apoiar o Donbás da Ucraína…“se as suas acçons o viram preciso, também estamos prontos a tomar novas medidas restritivas para aumentar os custos que a Rússia vai ter que pagar” diz-se textualmente. Isto é, sançons, mesmo apesar de serem ilegais segundo o direito internacional, de nom serem impostas polo Conselho de Segurança da ONU. A Corea do Norte é má, a China “está a impedir a liberdade de circulaçom no Mar da China” (sic), “o programa de mísseis balísticos do Irám é umha ameaça para a paz e a segurança internacionais” (sic), “condenamos todo apoio financeiro para o terrorismo, incluídos todos os grupos terroristas financiados polo Irám” (sic), e assim quase até o infinito. Som as velhas carantonhas coloniais que já nom interessam nem apavoram ninguém. Nom valem nem o papel no que estám impressos.

Pola contra, na declaraçom da OCS nom há nem umha só ameaça nem condena a ninguém, embora si enviou umha mensagem : “a OCS assenta como umha autoridade única, influente e autorizada de organizaçom regional”, cujas tarefas “vam executar-se na estratégia de desenvolvimento descrita até o ano 2025”. Quer dizer, a data referencial para o fim da hegemonia ocidental. E, ao contrário que o G-7, com ou sem os Estados Unidos, há umha firme aposta no direito internacional : “a OCS defende sistematicamente a soluçom das crises no Afeganistám, Síria, Oriente Meio e a península de Coreia, além dos outros conflitos regionais, no quadro das normas e princípios geralmente aceites no direito internacional”. Nada de sançons nem ingerências nem cousas semelhantes.

Assinárom-se 20 documentos conjuntos entre os assistentes. Para as pessoas profás, direi-vos que a OCS tem 8 membros de pleno direito, 4 países observadores, 6 sócios de diáloogo, 5 convidados e 5 interessados (aqui merece a pena mencionar que, embora no último chanço, pertencem a esta categoria a Síria, o Egipto e a Palestina, aliás de outro país problemático para a Índia, como Bangladesh e Sérvia). Entre estes documentos, há um vital : o Plam de Acçom para o 2018-2022 que vai implementar o Tratado de Vecindade a Longo Prazo, Amizade e Cooperaçom entre os Estados Membros da OCS. Isto vai contribuir para resolver o histórico enfrentamento entre a Índia e o Paquistám, agora os dous membros da OCS.

Isso é o que os chineses chamam : ‘os quatro cês’ : confiança, comunicaçom, coerência e nom coacçom. Comparai isso como o G-7 ou G-6.

Talvez o mais importante é a certificaçom de a OCS ter-se convertido na ‘capa protetora’ (sic) do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), que está em plena expansom, e o feito de dar-se ‘prioridade’ à Nova Rota da Seda (o nome oficial é, ‘um cinto, umha estrada’). Ante as reticências da Índia, como dixem, para os dias 25 e 26 deste mês previu-se umha juntança do BAII (do que a Índia é o segundo país em achega de capital, após a China) na cidade de Mumbai.

É por isso que o documento final da OCS fai “um chamado a todos os países para abandonarem a obsoleta mentalidade de procurarem ou aliança ou confronto, e para agirem segundo a tendência dos tempos, tratar-se mutuamente como iguais, valorizar as consultas e o entendimento mútuo, e explorarem alianças incluintes e construtivas no canto de se centrarem num imaginado inimigo.”

O G-7 é apenas umha outra prolongaçom dos Estados Unidos. Nenhum dos outros países que o integram é soberano, som simples vassalos dos Estados Unidos. Se o patrom se zanga, nada do que alô se dixer tem relevo nenhum. Nem sequer ainda que apareça em documentos. E se vocês querem mais mostras, lá está o assunto dos arancéis, o do Irám, e o da…OTAN.


Nom é possível convencer os colonizadores sem eles ficarem bravos; e temo-me que tampouco aos colonizados que se negam a descolonizar-se ou tenhem medo a essa descolonizaçom. Como é o caso da prática totalidade dos povos europeus. A UE está morta. A sua russofóbia (a dos políticos, que nom a dos empresários : exemplo, os alemáns com o gassoduto Corrente do Norte 2 que obrigou Merkel a aceitá-lo) quase supera a dos Estados Unidos. Eis o caso da absoluta parvoíce espanhola ao acusar à Rússia de aguilhoar o fenómeno arredista na Catalunha.

Pola contra, a OCS é umha soma de interesses e, ainda mais importante : de estados soberanos. Talvez puidermos discutir esta apreciaçom com o Tayiquistám, o Uzebequistám ou o Kirguistám e relativamente, mas nom com o resto. Sobretodo por terem armas nucleares, e isso é umha garantia de quase todo. A Rússia é um problema para a Uniom Europeia e para os Estados Unidos porque teima na sua soberania ; quanto mais a China.

Há ainda dous esclarecimentos que fazer sobre o que dixo Trump de Rússia ter que estar dentro do G-7 outra vez e se a Rússia quer ou nom estar nele. Agora mesmo, a Rússia nom se importa com isso. Putin, no seu discurso na OCS nom fijo mençom nenhuma ao G-7, cousa que cumpre sulinhar. Dixo que as principais angueiras da Rússia som a ONU, a OCS, os BRICS e o G-20 (sic). A orde é importante.

Os pró-ocidentais do Kremlin claro que querem voltar ao rebanho, mas nom os euroasiáticos. Ainda que o interessante vai ser ver como, por umha banda, Trump quer rachar a aliança russo-chinesa (e por isso diz que a Rússia deve voltar ao G-7, o que dá asas aos pró-ocidentais) e como, por outra, os euroasiáticos do Kremlin dam vida aos pró-ocidentais para verem de rachar a aliança da Uniom Europeia com os Estados Unidos.

Isto dá para mais umha entrega, sem dúvida. Porque o problema aqui reside na andrómena ieltsiniana de Rússia precisar o Ocidente para sobreviver. E vai servir para dar entrada a uha explicaçom do neoliberalismo dominante no Kremlin e apoiado por Putin.

*Publicado en elterritoriodellince.blogspot.com