Porque nom vou exilar-me

Por Pablo Hasel (traduçom do galizalivre) /

Começarei por dizer que, obviamente, respeito a decisom do exílio, sobretodo se se utiliza para continuar luitando. Nom supom ir de férias, nem umha cousa doada, como dim tantos, um continua sem ser livre, longe da terra, dos teus seres queridos, e com numerosas dificuldades de sobreviência. Mas nos últimos meses o exílio tem-se banalizado abondo, nomeadamente na Catalunha. Puigdemont e o resto de políticos independentistas foram injustamente forçados para o exílio por terem apoiado o democrático direito à autodeterminaçom ; eles tiveram-no doado a nível económico para liscarem. Muita gente acha que para o resto é o mesmo, e amiúde me param para me dizer ‘Fai como Puigdemont’. Exilar-se supom estar muitos anos sem poder voltar, e sem um trabalho assegurado todo esse tempo, a sobrevivência vira impossível. Eu nom disponho de meios económicos, mas com isso e contodo poderia liscar, tentando topar trabalho e manter-me exilado o maior tempo possível. Contando com algumhas ajudas de aqui e de acolá, poderia ser umha opçom a levar em conta. Mas nom, decidim ficar, alo menos por esta condena. Sei lá se no futuro escolherei o exílio forçado, mas polos motivos que vou expor a seguir, nom vai ser agora.

Ao longo da história, muitos revolucionários tivérom que escolher este caminho, como Marx ou Lenine, por exemplo. Isto nom os fijo covardes, e fixérom grandes achegas do exílio. Outros revolucionários exemplares como eles, tivérom e tenhem que ficar nos seus países a luitarem, sendo encarcerados por isso ; pois se todos os bolcheviques se exilaram, a revoluçom nom teria sido possível. Tam imprescindívels foram as achegas de Lenine e outros do exílio, como as de Félix Dzerzhinski ou outros tantos que nom se exilaram, rematando na cadeia. Com isto quero recordar que um nom é fato por nom se exilar, nem tampouco nom tem vocaçom de mártir, como pretendem vender os mesmos que falam do exílio como se fosse marchar de camping à praia. Trata-se de temas muito sérios como para os banalizar despoxando-os dumha análise mais vagarosa e funda. Se absolutamente todos os milhares de pessoas que sofremos repressom nos exilássemos, aqui nom haveria jeito nenhum de fazer avançar o movimento revolucionário.

Ao ter escolhido este caminho, nom o fixem por individualismo, era muito ciente de isto se pagar com um alto preço -sem esquecer tampouco todo o bom que achega. Por isso a minha análise nom pode ser em funçom do que a mim me ia ser mais cómodo. Ainda com a dureza do exílio, estaremos tods de acordo que a cadeia é ainda mais fodida. Para mim ia ser umha cousa mais confortável ir-me, mas acho que ia achegar menos à causa à que me devo. Para tomar umha decisom assi, como a que tomárom tantos revolucionários citados anteriormente, cumpre analisar cada situaçom concreta. Noutros casos nom vai ser assi, mas no meu acho que se vai gerar muita mais luita e consciência se me encareceram, que se me vou. Tenho-o pensado abondo.

Malfadadamente, o caso de Valtonyc confirma-o. Quanta luita tem gerado o seu exílio ? Certamente, de ter sido encarcerado -sem contar andrómenas, porque som muito ciente da fraqueza da organizaçom revolucionária- teria obrigado mais dum a arregaçar as mangas. Encarcerados por rapear, tira a carauta ao fascismo encoberto do regime e muitas pessoas abrem os olhos, puidem comprová-lo dando numerosas palestras e concertos polo Estado.

Se algumha cousa me consola, é perceber que nenhuma cousa foi em balde, e que muitas pessoas, moços e nom tam moços, interessam-se com a luita por mor dos nossos casos. É indubitável que isto se vai multiplicar se me encarceram, mais ainda que se me exílio. Adoptei este grau de compromisso para haver mais luita, e devo fazer o que contribua para haver mais.

Outro dos motivos polos que hoje desboto o exílio, é que a diferença de outros revolucionários exilados de muitos outros lugares que tomárom e tomam esse caminho, eu nom estaria noutro país com outros comunistas do Estado espanhol com os que poder desenvolver um amplo trabalho revolucionário que achegar mais à luita do interior. Havia de fazer muitas cousas úteis, mas acho que sem essa organizaçom com outros comunistas iam ficar coxas, e iam seguir tendo menos peso do que poida achegar mesmo na prisom.

Quem apenas dam por válido o exílio, falam do estágio na prisom como se fosse o fim da vida, como se um de socato passasse a nom poder achegar nada desde o interior das grades. Os presos e presas políticas antifascistas achegam muitas cousas da cadeia, além do seu enorme exemplo de resistência, que nom é pouco, sobretodo nestes tempos. Podemos ler artigos de presos revolucionários que achegam muito mais que outros escritos da rua, quer polo acertado das suas análises, como pola consequência que empurra a luitar. Muitos temos evoluído graças aos seus exemplos e contribuiçons. Aliás, como explicava anteriormente, os seus encarceramentos trazem à tona o Estado, desmontando a sua falsa democracia a olhos de cada vez mais pessoas. A prisom, como sempre lembrárom os presos, é outra trincheira de luita que nom pode impedir, senom todo o contrário, que um revolucionário evolúa.

Amanhá mesmo, numhas semanas ou nuns meses, pode sair a sentença firme do tribunal supremo e eu ser encarcerado. Ao sair, é possível nom me darem nem uns dias antes de me levar pola força a umha minúscula cela por contar verdades e desprezar os nossos criminais opressores. Podem argumentar que há risco de fuga, mas velaqui as minhas intençons. Nom lhe vou dar o prazer de liscar, nom se vam tirar este peso molesto das costas. Acho que se com a longa condena que tenho enriba ainda podo sair do Estado sem restriçons é porque lhes interessa que me vaia. Pois nom, vam ter que encadear-me, ponhendo-se em evidência pola violaçom dos direitos e liberdades mais fundamentais. Vam pôr muitas mais pessoas na sua contra, vam empurrar à organizaçom outras muitas, vam dar mais voz à mensagem que procuram silenciar, vam acordar mais solidariedade, vam foguear-me como revolucionário. Ao se plantar cara ao Estado, genera-se consciência, puidem comprová-lo trás o meu último juízo na Audiência Nazi-onal. Provavelmente, um dia tenha que liscar, mas acho que arestora nom é o momento, ainda repetindo que respeito e entendo perfeitamente quem o fixerem.

Seja como for, acho que devemos trabalhar para que qualquer pessoa que precise exilar-se ou passar à clandestinidade, poida fazê-lo se assi o decidir. À vista está que cada dia vai ser mais preciso, e cumpre preparar-se para nos defender dos constantes ataques destes fascistas. Porque além do que um crea mais oportuno, o que deve ficar claro é que da rua, cadeia, clandestinidade ou exílio, cumpre luitar arreo. Nom há outra se queremos acabar com esta ditadura inimiga dos interesses da imensa maioria.

 

*Publicado em contrasugenocidiodiario.blogspot.com