Sindicalismo alternativo ou alternativa ao sindicalismo?

Por Campi (traduçom do galizalivre) /

Séria e válida pergunta que se venhem fazendo desde há algum tempo os trabalhadores libertários em todos os lugares de trabalho de todas as regions do planeta. E esta pergunta, que assemade é umha reflexom em voz alta, vem ao caso porque a imensa maioria das organizaçons de trabalhadores no mundo, nom representam os interesses genuínos dos trabalhadores nem se assumem como verdadeiras organizaçons de defesa e resistência à exploraçom, expoliaçom e dominaçom capitalista.

Os sindicatos virárom-se umha instituiçom mais do capitalismo, mutando a sua originária finalidade ao ficarem apreixados, sujeitos e condicionados às leis do Estado, que os reconhece sempre que nom “saiam do rego”, quer dizer, na medida em que “respeitem” e assumam as normas instituídas do sistema polo próprio capitalismo e as suas classes sociais.

Hoje na Argentina, os sindicatos negociam com as patronais e os representantes do Estado nom apenas as condiçons de exploraçom e expoliaçom da força de trabalho, senom que, para além disso, exercem a funçom de regular e conter os desejos legítimos dos trabalhadores e transformárom-se em polícia ideológica das minorias conscientes, como activistas e militantes e que agitam e proclamam novas expressons metodológicas organizativas no seio das bases operárias.

Os sindicatos da burocracia sindical nom figérom absolutamente nada quanto à estrategia dos capitalistas de promover na sociedade umha legiom interminável de subocupaçons e desocupaçons sobre umha ampla quantidade de trabalhadores que fôrom engrossar o mundo da marginalidade como conseqüência das carências das fontes de trabalho.

E frente a tal ignomínia, aproveitando a realidade objectiva desses trabalhadores deslocados da produçom, a burocracia sindical nom tivo melhor ideia que aceitar que “empresas” de terciarizaçom do trabalho, quer dizer, umha corporaçom de exploradores e expoliadores dentro do sistema de exploraçom e expoliaçom se constituam com o seu consentimento em agências de colocaçons de escravos. Fenómeno este que foi inventado para ficar. Porque quem achar que este tipo de “agências déspotas” foi criada como “paliativo” para as necessidades e urgências dos despossuídos, ou é um hipócrita cúmplice das patronais e da burocracia escravista ou entrou numha caste de “liviandade espiritual abjecta”.

O dito podemo-lo comprovar no terreno em que se produzem os factos, que é a vida quotidiana: primeiro o crescimento de zonas dum proletariado sem trabalho, excluído e segregado do resto da sua própria classe e da populaçom em geral; segundo, a luita polo pam e o sustento da vida desses trabalhadores que, perante a a desesperaçom da sobrevivência aceitam qualquer forma de ganhar a vida e ficam sujeitos à lógica dum mundo marginal que os usa para o que lhe convém a cada momento. E é que o capitalismo e a sua própria metamorfose engendrou um novo subextracto social como escudo de contençom e estratégia de distracçom e que todo isto fai parte dumha transformaçom histórica do sistema capitalista.

Nessa estratégia de distracçom apela à motivaçom de dispersom do imaginário social colectivo com a estimulaçom, subtil e subjectivamente, de enfrentamentos do mundo da marginalidade que fura extemporaneamente no mundo da “escravitude assumida, inconsciente e conscientemente” e promove umha espécie de “guerra civil” disfarçada, nom ideológica, umha “guerra civil” fortemente condicionada polo factor económico. A luita de pobre contra pobre é umha velha argalhada das classes dominantes, mas hoje é estimulada e utilizada de volta para desviar a atençom dos primeiros escravos, os trabalhadores, e do mundo que os arrodeia.

Por isso os sindicatos na Argentina nom assumírom a defesa desses trabalhadores delocados do mundo industrial e de serviços e olhárom para outro lado. Os trabalhadores mais conscientes dérom-se mantido organizado nessas zonas marginais; umha minoria que os sindicatos da burocracia desatendérom aginha. E essas organizaçons dos bairros marginais afastadas da estrutura produtiva, ainda nom atingírom umha relaçom de força avondo funda e forte, precisamente por estarem noutra dimensom social quase inabrangível das fontes de trabalho que é quando menos, ainda nestes tempos, um espaço em que se pode luitar com certa efectividade. E isto sem nengumha dúvida é obra dum capitalismo em transformaçom para a dominaçom.

O que acabo de expor mais as traiçons nas luitas e os acordos com as patronais de costas aos trabalhadores e a nom participaçom deles de jeito directo através de assembleias e plenários com participaçom das bases e nom somente dos seus “representantes” incidírom directamente no plexo solar dos trabalhadores como classe e resulta umha das questons mais importantes da crescente crise de representatividade das organizaçons que comanda a burocracia sindical para novas geraçons de trabalhadores e trabalhadoras. Sem dúvida um estímulo para a apariçom de novas organizaçons de base que tentam contrapor usos e costumes diferentes ao das corporaçons.

Ao respeito cumpre expressar que estas novas organizaçons de base surgírom e estám a surgir no seio do movimento operário organizado, quer pola parte dos activistas obreiros da esquerda em geral que milita nos talheres e fábricas ou de núcleos de trabalhadores independentes dos partidos políticos da esquerda, vem-se expressando em muitos conflitos que marcam umha vontade e um estádio organizativo de luita que aparece como um “sindicalismo alternativo” na actual conjuntura sindical corporativa que impera no movimento obreiro organizado.

E aqui cumpre outra pergunta, a mesma que se fam muitos trabalhadores libertários, tanto em Europa como no continente americano: ALTERNATIVOS A QUE?

E serve de novo a pergunta, alternativos somente à burocracia sindical? Ou alternativos como umha organizaçom com métodos e metodologias opostas e diferentes nos meios e nos fins aos das corporaçons burocráticas? Apenas isso garante a alternativa? Talvez o seja se houver capacidade para a instalar no terreno dos factos e nas consciências dos trabalhadores para levá-la à práctica, mas duvido que seja simplesmente esse o problema, porque aqui há que contar também e muito especialmente para onde vai o capitalismo com as suas transformaçons e que tipo de organizaçons correspondem nom só para a defesa dos nossos interesses de trabalhadores senom para abolir o seu sistema de expoliaçom e substituirmo-lo por outra formaçom social e sistema de produçom em que a propriedade dos meios de produçom só poda existir como “possessom” social de quem produz e da comunidade no seu conjunto.

O termo “alternativo” nom parece ser a qualificaçom sobre a instauraçom dumha mudança, na medida em que essas novas organizaçons se proponham como umha via paralela ao sindicato e ao sindicalismo da burocracia, se se aguardar, por exemplo, o reconhecimento institucional num momento determinado das suas luitas, já que pretender estar num mesmo plano de condiçons nas mesas de negociaçons com o poder político do Estado. Ainda sendo mais combativas estas organizaçons com respeito às da burocracia, mas seguem sujeitas pola mesma natureza do sistema de representaçom das forças de trabalho à lógica do capitalismo.

É verdade que este modelos sindical burocrático que hoje padecemos surgiu em todo o planeta na fase de expansom capitalista após a II Guerra Mundial e que produz em muitos trabalhadores activistas e militantes sindicais a ideia de recuperar a “essência” dos primeiros tempos do sindicalismo. Depende de como se interpretar. Há quem pensa, ainda entre os nossos companheiros de ideais libertários, “que a situaçom do trabalho em sociedades do centro capitalista, nom há possibilidade nengumha de sindicalismo alternativo, como tampouco alternativa ao sindicalismo. A realidade é que o sindicalismo é útil para certas categorias de trabalhadores, empregados de grandes fábricas e companhias de serviços, cujos ingressos estám relacionados com as suas horas de trabalho. Porém, o sindicato tem muito pouco a dizer-lhe ao resto da populaçom assalariada, inestável e precarizada, desregulada nas suas possibilidades de obter os ingressos, cujas estratégias saem fora do marco sindical”. (Corsino Vela)

Claro que o sindicalismo burocrático nom lhes pode dar resposta aos trabalhadores de relaçons laborais inestáveis, precarizadas e desregulada nas possibilidades de obter ingressos, nom porque na realidade estejam fora do circuito gremial, mas porque a burocracia sindical, mimetizada com o sistema, partilha com ele a discriminaçom intencional desses sectores de trabalhadores que vam sendo empurrados persistentemente para a marginalidade laboral.

Mas umha cousa é esta situaçom desde a perspectiva dum sindicalismo de cúpulas e outra é desde umha organizaçom de resistência desde as bases das fontes de trabalho, que nom precisam sentar nas mesas das instituiçons, para aplicar a verdadeira “acçom directa” através dos “pregos de condiçons” com as patronais. O que passou é que esses sindicatos do centro das sociedades do capitalismo, abandonárom essa metodologia de acçom e entregárom-se às negociaçons que o Estado e as suas instituiçons lhes propugérom desde a pós-guerra. Som organizaçons burocráticas que defendérom o Estado do Bem-Estar para nom mudar absolutamente nada. Esse sindicalismo é irrecuperável.

Mas essa nom é a questom principal para nós, os explorados e expoliados na imensa maioria das regions do mundo. Para nós resulta fundamental que os que produzem bens de uso e de câmbio, os trabalhadores e as trabalhadoras, sejamos quem decidamos colectivamente a distribuiçom das riquezas que produzimos e para isso há ser imperiosa a emancipaçom social dos produtores e que essa emancipaçom social nom provenha dalgum “maná” dos céus, senom que seja obra revolucionária dos escravos do capitalismo, que se animárom a tronçar as cadeias e mudar o sistema de exploraçom por umha sociedade em que se estabeleçam comunidades livres de produtores ceives de amos e governantes.

*Publicado em Portal Libertario Oaca.