Oposiçom à minaria colonial, a piques de sair massivamente à rua em Compostela

Por Jorge Paços /

As luitas em defesa da Terra acumulam na Galiza das últimas décadas um enorme património de legitimidade e capacidade de pressom; das Encrovas ao ‘Nunca mais’, passando pola defesa da Ria de Ponte Vedra, o nosso povo tem artelhado inúmeras plataformas e estruturas populares com as que dizer nom ao modelo ‘desarrolhista’ ideado em Espanha e aplicado com mao de ferro nos gabinetes da Junta.

Amanhá o nosso povo está convocado a outra cita transcendental contra as ameaças à saúde e à riqueza natural, e em defesa de milheiros de postos de trabalho incompatíveis com a minaria selvagem. A Plataforma Mina de Touro-O Pino nom ! Chama a mobilizar-se às 12 do meio dia na Alameda de Compostela.

Ao longo desta semana difundiu-se com sucesso mais um dos vários riscos que o projecto de mina de Touro-O Pino supom para a populaçom do nosso país : o envelenamento das augas do Ulha, e a conseguinte posta em risco da produçom piscícola e marisqueira da ria de Arousa, a mais rica do país. Os informes elaborados pola própria Junta e difundidos pola associaçom ADEGA ratificárom o enorme rechaço popular do mega-projecto, que envolve sectores económicos diversos -do marisqueiro ao agro-gadeiro- e várias alcaldias do PSOE.

Até o turismo em risco.

O projecto industrial chega a tocar mesmo um dos ‘sectores estrela’ que a direita galego-espanhola tem vendido como soluçom às carências económicas do país : o turismo. Mas esta suposta galinha dos ovos de ouro (muito mais suposta do que real) também se verá atingida polo projecto de Atalaya Mining, segundo vem de anunciar num comunicado o Sindicato Labrego Galego. A organizaçom agrária recorda que os e as milhares de pelegrins -quase 200000- que chegam às portas de Compostela já se encontram com a mina de Touro a estragar a paisagem. Aliás disso, tenhem que aturar ‘refugalho, entulho, poluiçom e nuvens de pó’.

No futuro, o malestar do visitante aumentará, desde que Atalaya Mining declarou a necessidade de realizar mais de 2000 explossons com dinamita, utilizando por volta de 20000 toneladas de explosivos. Este material de alto risco empregará-se nas redondezas do aeroporto de Lavacolha, um centro neurálgico das comunicaçons da Galiza com o mundo.

Bagagem de luita

Mas a Galiza nom parte de zero numha luita como esta. Precisamente há um lustro, um amplo abano do país organizado -de associaçons vicinais a forças sindicais, passando por colectivos ecologistas, independentistas nacionalistas ou anarquistas- cenificava massivamente em Compostela a sua oposiçom ao projecto mineiro de Corcoesto, em Bergantinhos. A pressom popular conseguiu pará-lo, alo menos temporalmente.

As interioridades daquela luita podem conhecer-se na interessante reportagem que o diário Adiante.gal vem de publicar, dando voz à vizinhança mobilizada contra a empresa canadiana Edgewater. Na crónica aparecem os grandes obstáculos aos que se enfrenta a populaçom, como as manobras empresariais para agochar informaçom, os sarilhos burocráticos deliberados que coloca a administraçom, o bloqueio informativo. Algumhas declaraçons registadas polos jornalistas de Adiante ilustram com claridade em que consiste umha luita popular : ‘Aprendim que cumpre luitar nesta vida para conservar o teu, aprendim que há gente maravilhosa que te ajuda, aprendim que nom podemos esperar nada dos nossos governantes…é umha mágoa, mas é assim, tês que luitá-lo’.

A luita de Corcoesto, que deu lugar ao colectivo Contraminacçom, que agrupa hoje mais de vinte entidades, supujo mais um chanço para essa Galiza que nom está disposta a deixar-se roubar a sua riqueza por um capitalismo extractivista que responde ponto por ponto a um modelo colonial. Amanhá provará-se em Compostela a sua força.