Por Jorge Paços /

82 anos depois do seu assassinato, a Galiza continua a fazer justiça a um dos seus persoeiros mais egrégios ; a figura de Joám Jesus Gonçález está a sair do anonimato graças ao documentário que O Quinteiro do Úmia realizou : “O canteiro de Sebil”, projectado já em vários centros sociais e locais públicos diversos, chega amanhá a Ponte Vedra de mao d’o Quilombo.

O canteiro de Sebil” começara a sua andaina no teatro Principal de Compostela no passado outono, e desde aquela nom parou de receber boas acolhidas num público muito amplo. Com cenas de recriaçom histórica e papel protagonista para a vizinhança de Moranha que conheceu Joám Jesus, o video resgata a figura dum canteiro, mestre, estudante de Direito e escritor que deixou pegada perdurável na Galiza.

Joám Jesus foi um dos milhares de militantes obreiros que, naquela altura histórica, superou o analfabetismo imposto com enormes doses de esforço e voluntarista, aproveitando o seu tempo de lazer para debruçar nos clássicos da cultura. A sua transcendência radica na ligaçom que estabelece entre a luita de classes e a causa galega, numha jeira na que o internacionalismo exercia o espanholismo mais agressivo, e na que a nossa causa nacional tendia a recluir-se nos gabinetes de intelectuais especulativos.

Joám Jesus funda a Uniom Socialista Galega em Compostela, que podemos considerar a primeira organizaçom nacionalista e marxista da nossa história ; além disso, proclama-se arredista, adiantando-se em muitas décadas aos nacionalistas pacatos que ainda nom se atrevem a falar de ruptura com Espanha.

Tais posiçons rotundas, acompanhadas da resistência activa de Joám Jesus ao golpe de 1936 nos Terzos de Calo, explicam que os fascistas decidiram o seu assassinato, e seus herdeiros políticos o total silenciamento da sua figura.

Em Ponte Vedra, de mao do Quilombo

No dia de amanhá, a associaçom O Quinteiro e a pontevedresa O Quilombo, em colaboraçom, projectarám este documentário homenagem à grande figura de Sebil (Cequeril, Cúntis). Será às 20,30, debalde, no Teatro Principal. Mais umha paragem dumha rota longa por toda a nossa geografia, na que Joám Jesus Gonçález ganha o espaço que legitimamente lhe corresponde.