Por Jorge Paços /

Como analisávamos neste portal há apenas uns dias, a magnitude da trama corrupta do PP, já ratificada polos tribunais e saldada em importantes penas de prisom, poderia ter sido o golpe de graça ao partido histórico da extrema direita espanhola. Contra os cálculos parlamentares que dominavam até hoje, a retirada de apoio do PNV a Rajoy dará passo provavelmente a um governo do PSOE.

Os 84 votos do PSOE somarám-se aos 67 de Unidos Podemos, e estes aos de ERC, PdeCAT, PNV, Compromís, EH Bildu e Nueva Canarias. A abstençom inesperada de Coalición Canaria deixará com apenas 169 deputados o PP, Ciudadanos, UPN e Foro.

A sessom parlamentar de hoje tivo um certo elemento de surpresa, desde que a posiçom do PNV nom se conheceu até a tarde. Temeroso de se ver salpicado polo enorme nível de impopularidade do governo de Rajoy -mais notável ainda no País Basco- a direita nacionalista atreveu-se a mudar o plantejamento e pegou um golpe sério no mapa institucional do Reino de Espanha.

Impensável demissom

Na linha mais clássica da direita neofranquista, Rajoy manifestou que nom pensa demitir, polo que haverá que aguardar até a sessom de hoje para perder definitivamente o governo, de nom mediarem surpresas de última hora. Nem os escándalos económicos e políticos que acordárom mais carragem popular nas últimas décadas -mesmo na sua base eleitoral- modificárom um milímetro a conduta do grande partido da oligarquia, que se aferra ao poder com tenacidade até o último segundo.

À espreita, topa-se o grande relevo no liderado extrema direita, Albert Rivera. Desejosos dumha demissom de Rajoy que permitissem a Ciudadanos aceder ao governo através das urnas, os representantes do partido vem gorados os seus planos. Recorrendo à retórica anti-catalá que tam bom réditos lhe proporciona, Rivera volveu a pôr acima da mesa o ‘golpismo catalám’ -em alusom às tentativas do independentismo catalám de proclamar a República desde as instituiçons- e resgatou os fantasmas, tam apavorantes para a direita sociológica, dumha coaligaçom ‘nacionalista e socialista’.

Umha sombra da Galiza

Por boca de Fernán Velho, os e as deputadas galegas de em Marea prometêrom o seu apoio a Sánchez e criticárom que Rajoy ‘apagara a Galiza’ do mapa do Estado. Figérom-no com um discurso morno, sem alusom aos direitos nacionais, e apenas mencionando a consideraçom constitucional da nossa terra como ‘nacionalidade histórica’. Ignorando deliberadamente o papel histórico do PSOE na negaçom do feito nacional galego, invocárom compreensom ao novo gestor do Estado e ficárom no terreno das intençons cándidas. Um discurso lógico, se compreendemos que se produz baixo a vigiláncia dumha grande plataforma espanholista -Podemos- e em companhia dos sectores do espanholismo que, na Galiza, suscrevêrom os pactos da Transiçom.