O berro “Galiza nom se vende” volve escuitar-se na defesa do litoral corunhês

O movimento popular exige que os terrenos corunheses que a Autoridade Portuária deixou ao marchar a Punta Langosteira passem a uso social

Por José Manuel Lopes Gomes /

Com o deslocamento das instalaçons de Portos da Galiza a Punta Langosteira, parte dos terrenos que esta autoridade detentava no litoral corunhês poderiam ser devoltos ao uso popular e comunitário. Essa é a tese que defendem o movimento social e as forças de esquerda institucional na cidade herculina, com a adesom oportunista dum dos partidos da direita espanhola, o PSOE. A vontade de renegociar a devoluçom de parte do litoral ao povo corunhês, amparada também polo governo municipal de Em Marea, bate agora com a surdeira do Estado.

Há quase quinze anos, o PP autonómico e o PSOE local determinavam num documento o futuro de parte da costa em zona urbana, com a mente posta no momento em que Punta Langosteira se pugesse em andamento. Na lina desse modelo desenhado pola direita espanhola, a Junta e o Ministério de Fomento assinárom neste ano um novo documento, que autoriza a privatizaçom do 80 % dos terrenos.

A controvérsia de Punta Langosteira.

Na realidade, as agressons ao litoral corunhês remontam aos tempos grande ‘desarrolhismo’ prévia à crise das finanças, quando obras megalómanas como os portos exteriores da Corunha e Ferrol eram aplaudidos pola prática totalidade das forças da esquerda institucional no nome da ‘criaçom de postos de trabalho’.Em 2016, o colectivo Ecologistas em Acçom concedia a ‘bandeira negra’ ao porto exterior corunhês, polo enorme esbanjamento de recursos destinados a umha infraestrutura construída numha zona que já dispom de instalaçons semelhantes. Aliás, os ambientalistas afirmavam que todos os expertos coincidiam em considerar ‘umha loucura’ construir um porto de refúgio numha área tam exposta ao norte.

Além dos danos ambientais conhecidos, com a obra de Punta Langosteira desapareceu umha das jóias patrimoniais da pre-história galega.

Os defensores da infraestrutura poderiam pensar que o deslocamento das instalaçons da Autoridade Portuária a essa área libertaria a cidade ; mas o poder tinha outros planos, que eram multiplicar o peso dos interesses privados na zona de costa.

A alcaldia da Corunha, em maos de Xulio Ferreiro, pom em causa o projecto e pede renegociaçom ; na mesma linha, mas a pé de rua, se pronuncia a Comissom Aberta em Defesa do Comum, entidade que convocou na manhá de onte vários centos de corunheses e corunhesas diante da Autoridade Portuária. A proposta forte da mobilizaçom é « recuperar as cidades para a gente ». Por outras palavras, impedir que o cimento, o betom e os poderosos interesses económicos que os movem, continuem a expropriar espaços do bem comum. Esta era precisamente a linha de discurso e acçom que moveu há umha década a plataforma Galiza nom se vende, protagonista de luitas sociais nas que a defesa do território do litoral tinham umha presença central.

Poderes fácticos em acçom.

Os e as convocantes pugérom o seu acento no bloqueio informativo imposto por “grupos hegemónicos” e advertírom do perigo de nom informar a populaçom sobre o assunto. Nom resulta difícil ver por trás da operaçom o grande cabeçalho do poder galego-espanhol, “La Voz de Galicia”, eterno propagandista de toda iniciativa da oligarquia, e perseguidor ou silenciador (segundo a ocasiom o requerir) de qualquer oposiçom que pivotar na rua.

Mobilizaçons.

O de onte é um ponto de arranque para um ciclo mobilizador, segundo anunciou a Comissom. No vindouro 26 de maio, umha manifestaçom sairá do Hotel Finisterre, no que se espera seja umha demonstraçom de força do interesse público contra a cobiça privada.

Preparando o terreno para a sensibilizaçom popular, a Comissom está a argalhar um inquérito popular à vizinhança da zona velha da cidade para que esta opine sobre o futuro do litoral.