Concelho de Cúrtis favorece projecto de planta de biomassa limitando superfície de uso agrário

De se consumarem os planos da Junta e do concelho, a Cova da Serpe remataria cercada polos eucaliptos

Por Jorge Paços /

Umha vez que a Junta deu luz verde ao projecto de megaplanta de biomassa em Cúrtis modificando mesmo a lei que limitava a potência deste tipo de instalaçons, os seus seguidores locais dam os seguintes passos para reconverter o concelho ao monocultivo eucalipteiro, marginando o resto de actividades económicas.

O PP está a valer-se das suas redes de poder local para consumar mais facilmente a reconversom do interior galego num deserto verde. Assim o aponta na sua denúncia o Sindicato Labrego Galego, que relaciona a modificaçom do PGOM com os interesses da planta, cuja instalaçom é iminente.

De se consumar o plano autonómico, Cúrtis vai ser o destino final de centos e centos de camions carregados de madeira, que nutrirám umha central que chegará a queimar mais de médio milhom de toneladas cada ano. Aliás da madeira chegada de vários pontos do país, próprio concelho virará em viveiro privilegiado de espécies de crescimento rápido, em detrimento de qualquer outro tipo de orientaçom produtiva. Para isso, segundo denunciam a oposiçom e o sindicalismo agrário, é preciso limitar os espaços de uso agrário no PGOM. Para o PP, empoleirado na cámara municipal, trata-se de superar a ‘confusom’ entre os usos agrários e florestais, com o intuito de potenciar ambos os dous. Na realidade, trata-se de consagrar vastas áreas ao cultivo árvoreo de espécies alóctones, prejudicando as actividades agrogadeiras num concelho ainda de orientaçom agrogadeira.

Diversidade liquidada, Cova da Serpe baixo ameaça.

Seguindo passo por passo o manual da conversom de áreas inteiras do interior galego a um industrialismo de enclave, o concelho ainda deu mais um passo : relançou o projecto de polígono industrial das Toxeiras, desestimado há umha década polo governo bipartido e polo Tribunal Superior de Justiça da Galiza. Na altura, a Junta entendera que nom se deviam destinar a usos industriais terrenos de enorme valor agrário, lindantes aliás com um espaço natural tam rico com a Cova da Serpe (hoje considerado Lugar de Interesse Comunitário). Um dos tramos mais senlheiros da dorsal galega seria devorado, de se consumar a ameaça, pola mega-plantaçom eucalipteira que a Junta e os seus lobbies pretendem extender pola prática totalidade da nossa terra.