Por Jorge Paços /

O pouco que restava de galego no Banco Pastor, absorvido polo Popular em 2012, esvai-se de vez ; Fernando Merino foi o seu último director geral: na sua apresentaçom pública no cargo, há apenas dous anos, e diante dos poderes fácticos, manifestava que « trás 90 anos de história a trabalhar a prol das pequenas e medianas empresas, mais de 50000 empresas galegas confiam em nós ». Fôrom, como tantas vezes, declaraçons falsas. Merino, junto mais quatro conselheiros, todos eles de origem espanhola, vem de decidir agora o encerramento do Pastor. O processo de acumulaçom de riquezas em maos alheias consuma-se na Galiza, que vive um processo de concentraçom bancária com poucos equivalentes na Europa. Na última década, a poupança e investimento das galegas e galegos passou de estar em maos de vinte corporaçons, a está-lo repartida entre apenas seis.

Da absorçom à liquidaçom.

O mais veterano dos bancos galegos, fundado há mais de douscentos anos na Corunha, caira já baixo o domínio do Banco Popular, à sua vez participado maiormente polo gigante bancário Santander. A filial galega pugera-se em maos dumha conhecida dirigente da extrema direita espanhola, Isabel Tocino. Fora ela a que artelhara um conselho de quatro pessoas para consumar a liquidaçom da segunda maior entidade financeira da comunidade. Junto Tocino, dirigírom a operaçom o próprio Fernando Merino, Rosario García, Javier Ibarrola e Pedro Azcárate.

Embora a imprensa empresarial manifestava no passado verao que « havia esperança de o Popular manter algum tipo de estrutura própria na Galiza », os feitos confirmam o contrário. Os capitalistas desouvem assim a petiçom das forças políticas institucionais e de todos os sindicatos, que temem o processo de eliminaçom de postos de trabalho que seguirá à desapariçom.

Das falsas promessas habituais apenas ficará o nome -Pastor- e este mesmo rematará por desaparecer em 2019. Os passos, confirmados onte, levam a subsumir o Pastor no Banco Popular, e este no Santander « para reduzir custes e melhorar ingressos », segundo a palavrada oficial : por outras palavras, para aumentar os lucros, situando o circuíto bancário em maos nom galegas e em centros de decisom distantes. O Pastor nom terá já nem conselho de administraçom, e os cinco espanhóis que o liquidárom passarám a desempenhar as suas funçons no gigante de Ana Botín.

O feche de sucursais começará a finais de ano, e continuará todo ao longo de 2019. Todos aqueles concelhos que tenhem duplicidade de sucursais (mais de cem) verám como se acometem despedimentos ou cámbios de destino laboral.

A velha história dum capitalismo alheio.

A actual fase de gigantesca concentraçom de capitais, favorecida por castas políticas sempre obedientes às finanças, nom fai mais do que confirmar umha velha tendência na nossa terra : o domínio de capitalistas de origem alheio, peças centrais num entramado que extrai recursos, poupanças e mao de obra da Galiza.

O grande emblema da banca galega, o Pastor, foi fundado por um catalám, Jaime Dalmau e Cía, que em 1776 se enriqueceu polo tráfico corunhês com os portos da América, e que engordou as suas contas graças às poupanças que enviavam os emigrantes através da sua companhia navieira. Tomou o nome com que o conhecemos pola participaçom de Pastor Taxonera e o seu filho Pastor Horta, ambos de origem foránea. Foi esta saga a que estreitou laços -por via matrimonial- com a famíla de capitalistas Barrié Marchesi, procedente da França, e já com umha posiçom de força na Corunha de finais do século XIX.

Pouco se pode dizer que nom se saiba já de Pedro Barrié de la Maza, descendente de ambas as duas gíneas, e grande representante dos poderes fácticos galego-espanhóis atrincheirados no conglomerado corunhês. Formado académica e economicamente na Europa, foi um dos grandes financiadores autóctones do genocídio de 1936 ; a força do quadrilhismo fascista na nossa terra, com o seu regueiro de sangue em bairros e paróquias, nom se pode entender sem homens como este, louvados pola imprensa servil como « grandes emprendedores ». Promoveu a adquisiçom popular do Paço de Meirás para lha ceder a Franco como residência de verao, e aproveitou o seu papel preeminente no regime para saquear os recursos naturais do povo com a empresa FENOSA, protagonista do asulagamento de vales e do deslocamento forçado de populaçons.

O fim pouco honroso dum pequeno capitalismo.

Máis de médio século depois, pouco resta daquele cacarejado « capitalismo autóctone ». Por muita lealdade política que mostrara a Espanha, a concentraçom da riqueza e a marginalizaçom do país condena-o a um recanto intranscendente. Fenosa rematou absorvida por Gas Natural, o Banco Pastor desintegra-se dentro do Santander, e a antiga Caixa Galicia, símbolo das caixas de aforro com « sentido social » é, com o nome Abanca, um apêndice do grupo Banesto dirigido por José María Escotet, um financeiro venezuelano. Quem ainda enxalçam a galeguidade do grupo Inditex, o gigante têxtil, quiça esqueçam que entre os nove dirigentes do seu conselho de administraçom só há um galego de nascimento. Os sete restantes som sete espanhóis e umha inglesa.