O Berzo mobiliza-se contra a incineraçom ante a ameaça de cimentos Cosmos

A produçom agrícola e a saúde humana, ameaçadas por Cosmos na Galiza oriental

Por Jorge Paços /

A comarca do Berzo, a mais extensa da Galiza oriental, atura dos índices de poluiçom mais altos do Estado, registando altas taxas de cancro directamente derivadas da desfeita ambiental. Segundo informa a associaçom ecologista Bierzo Aire Limpio, a ameaça incineradora da cementeira Cosmos poderia agravar a situaçom. O movimento popular do Berzo está a artelhar umha campanha mobilizadora, repetindo a que decorrera, com grande sucesso, no ano 2011.

Cementeiras Cosmos, também sediada na Galiza administrativa, e envolvida noutras tentativas de expoliar e danar os bens populares (como Cova Eirós em Triacastela), pretende reformar agora o seu processo produtivo no concelho de Vila de Caes (espanholizado como « Toral de los Vados »), acarom de Cacabelos, e mui cercana a Ponferrada. Cosmos pretende queimar pneus e outros resíduos numha área hortícola e vitivinícola, aliás densamente povoada.

Bierzo Aire Limpio começou este mês de abril apresentando a sua campanha, que consiste na recolhida massiva de assinaturas. O colectivo procurará adesons « em todos os recantos do Berzo », polas suas próprias palavras, pretendendo implicar o mundo vizinhal, o cooperativismo agrário, as adegas, ou o pessoal sanitário. A intençom é repetir as mobilizaçons que, com o mesmo motivo, paralisaram a comarca em maio de 2011.

Razons de peso.

As estatísticas manexadas, polas razons conhecidas de amputaçom territorial do Berzo do seu tronco galego, equiparam os índices bercianos com comarcas de Castela e Leom, e nom da nossa Terra. Com isso e contodo, som iustrativas e servem para dimensionar o problema que assinala o ecologismo. O Berzo acumula as taxas de cancro mais altas da comunidade autónoma, o que os especialistas relacionam com os efeitos da poluiçom numha bisbarra com forma de grande fochanca, rodeada de montanhas de mais de 1000 metros, na que a renovaçom atmosférica é mais lenta.

Votoratim de fundo.

Como acontece quase sempre ao falarmos de indústrias de enclave, de escassos benefícios sociais e enormes danos ambientais no lugar que as acolhe, interesses nom galegos estám por trás de Cosmos. A cementeira pertence à multinacional Votorantim, empresa que recebeu denúncias em vários pontos do globo por atentar contra os direitos humanos e ambientais.

Entre os seus grandes valedores, como nom podia ser de outro jeito, está a extrema direita empoleirada na Junta. No passado novembro, em visita à cimenteira de Oural, em Sárria, o conselheiro de economia manifestava Cosmos ser “o emblema do modelo industrial da Junta”. Defendia assim umha empresa enormemente desprestigiada polo seu ERE em Sárria, e pola tentativa de apagar do mapa as pinturas rupestres de Cova Eirós. O movimento popular e a decisom dum julgado parárom o atropelo.

Agora, Votoratim procura substituir o combustível da sua factoria por um cóctel mortal de dioxinas e furanos, hidrocarburos aromáticos policíclicos e metais pesados.

Lembram da associaçom que nom só a populaçom berciana seria a atingida, pois a comarca inteira -considerada historicamente a porta da Galiza- recebe visitas de milhares de pessoas cada ano, atrazidas por jóias do património como as Médulas ou os Ancares. Também moreas de pelegrins atravessam terras bercianas em direcçom a Compostela.

Bierzo Aire Limpio conclui, num manifesto disponhível nas redes sociais, que a comarca deve criar riqueza com um modelo de desenvolvimento baseado « no produto local, a protecçom da paisagem e a agricultura ecológica ».