Por José Manuel Lopes Gomes /

Mais umha semana de importantes descobertas na nossa riqueza patrimonial ; com as boas novas, porém o governo colonial insiste em trazer as más. Pois a um tempo que se desvendava o valor excepcional das pinturas rupestres de Cova Eirós, nos Ancares, o tecido associativo denunciava ameaças contra a herança medieval.

De novo o paleolítico galego.

Já temos informado neste portal do relevo extraordinário que estám a alcançar os jazigos do paleolítico galego, umha etapa historicamente desconsiderada na nossa arqueologia. Há um lustro que soubemos da existência de pinturas rupestres em Cova Eirós, no concelho de Triacastela, e agora conhecemos exactamente a sua dataçom. Graças às provas realizadas com carvono 14, podemos afirmar sem hesitaçom que as pinturas tenhem 9000 anos de antiguidade ; som, portanto, 3000 anos mais antigos que os desenhos que se tinham registado no occidente do país, da época megalítica.

Os desenhos representam animais, embora a erosom nom permite decifrá-los com claridade : sabe-se, sem embargo, que umha das bestas reflectidas é um cavalo, motivo típico da pintura das sociedades caçadoras-colectoras.

Nessa mesma jeira, segundo todo indica, os nossos e nossas remotas devanceiras povoárom zonas cercanas a esta gruta. A equipa investigadora, dirigida polo catedrático da USC Fábregas Valcarce, relaciona os habitantes de Cova Eirós com aqueles que deixárom úteis de pedra na cova de Valdavara, em Becerreá , e na cova de Chao de Lindeiro, entre Pedra Fita e Folgoso do Courel. Ao falarmos de datas tam recuadas e remotas, difíceis de conceber para a imaginaçom humana, temos que levar em conta que a ‘cercania’ entre populaçons pode ser umha cercania situada num prazo de vários séculos ; isto é, enquanto numha cova houvo actividade numha época, na seguinte esta puido começar 700 ou 800 anos mais tarde. Apenas estas periodizaçons tam toscas nos ajudam a situar-nos na vastidade do tempo. Deste modo, os arqueólogos tentam explicar que os restos paleolíticos das covas orientais pertenciam a homens e mulheres que viviam a delongada transiçom ao neolítico, um processo que atingiu centos de geraçons.

A desfeita avança cara a Costa da Morte.

As investigaçons de Cova Eirós estám em andamento graças a um convénio entre a USC e a Conselharia de Cultura, mas disto nom deve derivar-se que os responsáveis do governinho galego tenham um especial interesse polos nossos tesouros patrimoniais.

De feito, e segundo declara o colectivo historiadegalicia.gal, som os tesouros da Costa da Morte, mais umha mostra da nossa riqueza mais desconhecida, os que enfrentam a ameaça da invasom eólica.

A primeira evidência destas jóias, maiormente concentradas em Cabana de Bergantinhos, topamo-la na toponímia. Num rápido repasso, topamos o Castelo de Borneiro, o Castelo de Murinho, o Castelinho, a Torre de Jalhons, o Castelo, os Castralhons, as Penelas…na típica continuidade histórico-territorial do país, estes castelos fôrom primitivos castros logo transformadas em penelas (castelinhos pequenos entre rochas) ou rochas fortes. As esgrévias condiçons da nossa costa fijo possível erguer todo um entramado de vigiláncia e defesa sem grandes recursos construtivos. Dos séculos XI ao XIII, estas construçons inçam a costa galega, num processo de apropriaçom dos senhores feudais de grande parte do território.

Segundo umha acertada comparaçom de historiadegalicia.gal, os novos senhores feudais, as transnacionais de energia, pretendem agora tomar de novo o território, e farám-no em forma de moinhos de tamanho monstruoso para a exportaçom energética. Correm perigo o Castelo de Murinhos, o Castelo de Borneiro, a Pedra Ancha e a Pedra Longa ; no concelho de Lage, o projecto eólico de Catasol II condenaria os castelos de Sueiro, o Sol ou a Estrela.

A responsável da destruçom será umha velha conhecida do povo galego : Fenosa Wind.