O Grupo Feminino Socialista de Ferrol

As mulheres trabalhadoras galegas, carregando no seu lombo com o peso do País, estivérom à frente de muitas luitas

Por Fuco Bandua /

Com motivo da celebraçom do 8 de março resulta mais que necessário botar a vista atrás e lembrar a história da luita operaria particular das mulheres, condenada à invisibilizaçom e ao olvido na historiografia oficial do movimento obreiro. É preciso incluir na memória comum cada retalho, esforço, e exemplo dos milheiros de mulheres galegas que aportarom gerosidade, valentia, inteligência, dignidade… por ideias justas. Com este objetivo imos abordar o percurso do Grupo Feminista Socialista na cidade de Ferrol.

Coincidindo com as mobilizaçons pola aflitiva falta de subsistências a partir do 1915, as mulheres da cidade e bisbarra de Ferrol aglutinaram-se, provalmente por ser as mulheres as depositárias das responsabilidades e cargas da economia doméstica, pola baixa dos preços e na contra dos chamados “acaparadores”. O grupo que tomou a iniciativa e direcçom em boa parte das luitas por mor da crise de subsistências no período compreendido entre 1917 e 1919 foi o “Grupo Feminino Socialista” onde destacaria pola sua capacidade político-organizativa a figura de Josefina Neira Fernández.

Josefina participou em comícios, sendo um dos primeiros atos onde se tem constância da sua participaçom um ato de propaganda societária em junho do 1918 junto Virginia González1 persoeira histórica do movimento comunista do Estado espanhol, ademais Neira foi colaboradora habitual do jornal “O Obreiro2 no que escrevia acotio sobre as luitas das mulheres e do conjunto das mobilizaçons sociais no Ferrol rebelde e conflitivo da época, tanto é assim que seria processada a resulta dum artigo publicado em Fevereiro do 1919.

A começos do 1920 o Grupo Feminino Socialista convocou diversos comícios pedindo o baixada dos alimentos básicos e contra a suba do preço do pam, é destacável a presença de mulheres coma Carmé Neira, Maria Picalho (membra das descarregadoras da Aliança Feminina da Granha), Amália Vergara3 (colaboradora d’O Obreiro), Maria Varela4, Juana Monteiro (da Sociedade de Aguadoras iniciada a começo do século XX), América Ruiz5 e a nomeada Josefina Neira. Apesar do crescente protagonismo e marca social da mulher no sindicalismo ferrolao é inegável a tutela e tentativa de subordinaçom do movimento por parte dos homens, neste caso nomeadamente a través da figura de Edmundo Lorenzo, que figura como “assessor” do grupo em 1920.

Ao longo da década dos anos 20 o peso do “Grupo Feminino Socialista” dilui-se progressivamente até esvaecer, ainda que voltaria a abrolhar com força no meio do fervedouro de atividades sindicais, culturais e políticas da II República. Seria no 1933 por meio dum comitê organizador no que figuram Toribia Iriarte a frente da direcçom e Maria Abelha Castro coma secretária.

Nesta nova etapa ocuparam-se dos problemas específicos da mulher da realizaçom de atividades culturais. Deste jeito fundariam umha biblioteca á que muita militância socialista enviará livros e folhetos entre outros materiais, ao mesmo tempo organizaram-se umha serie de conferências culturais em setembro do 1934 da que só nos fica constância dumha abrumadora presença de homens, destacados militantes socialistas da cidade entre outros de António Santamaria ou Ángel Mato. É também destacável a labor de recuperar experiências da primeira jeira do coletivo, mantendo contato com militantes da etapa primigênia que cristalizariam no retorno a primeira linha do ativismo de figuras como Amália Vergara.

O árduo do trabalho do grupo, nom seria impulsado desde as estruturas sindicais e políticas que nom valoravam o protagonismo feminino apesar de contar nesta segunda etapa com mais participaçom das mulheres da comarca isto impossibilita ver agromar um grão de referencialidade pública coma a desenvolta ao longo da crise das subsistências. O labor seria mais silencioso ainda que nom por isso menos relevante, e incidiria no conjunto das mulheres ferrolas até o ponto de que a filiaçom ao “Grupo Feminino Socialista” superaria a centena de cara ao 1936.

O golpe fascista do 1936 poria fim a umha espetacular incidência que contribuira para situar a voz das mulheres dentro do panorama do obreirismo ferrolao e achegou a perspectiva própria das mulheres e começando a debulhar a especificidade da luita do género feminino a través da auto-organizaçom podemos afirmar com rotundidade que estáelabor nunca foi suficientemente reconhecido, valorada e apoiada polo conjunto dum movimento político-sindical preeminentemente masculino e masculinizado.

Quando as autoridades ilegítimas do franquismo passam revista das atividades sociais, culturais e políticas da II República, investigam o Grupo Feminino Socialista e fam pagar em sangue a Maria Abelha6 que teria participado nas mitenes da Frente Popular nas eleiçons do 1936, seria assassinada o 12 de setembro desse mesmo ano à idade de 40 anos.

Existiu em Ferrol resistência ao franquismo, e obviamente houve protagonismo e presença feminina numha das vilas com maior taxa de associacionismo feminino da Galiza nomeadamente no assalto ao cruzeiro “Almirante Cervera” por estas acçons seria assassinada Josefa Gomes de Mera7 que figura em diversos arquivos coma ex-presidenta do Grupo Feminino Socialista.

O que nom se recolhe, nom se fala, nom se escreve e comenta esvara e dissolve-se na história e ainda a dia de hoje som poucos os trabalhos que recolhem a pegada da mulher no movimento popular e obreiro da Galiza. É e de justiça lembrar a liberdade, capacidade, valentia e compromisso das nossas antecessoras.

Bibliografía:

Obreirismo Ferrolán, Eliseo Fernandez (2005)

Ferrol en Feminino.

El Franquismo desde los márgenes, Óscar J. Rodriguez Barrera, Pág 65.

Mujer, franquismo, y represión: Una deuda histórica. 

1 Virginia González Polo (Valladolid 1873 – Madrid 1923) foi umha dirigente política e feminista espanhola, sendo partidária da Terceira Internacional abandonaria o PSOE depois do III Congresso Extraordinário. O 13 de abril do 1921 participou na Fundaçom do Partido Comunista Obreiro Espanhol (PCOE), foi elegida por esse partido para assistir ao III Congresso da Internacional Comunista em Moscou, mas ao seu passo por Paris regressa gravemente enferma. No I Congresso do Partido Comunista Espanhol (PCE) que teria lugar em março do 1922 foi elegida secretaria feminina do Comité Central do PCE. Residiu na Corunha.

2 O Obreiro era o orgao de expressom da Agrupaçom e Juventude Socialista de Ferrol. O vozeiro socialista inicia-se no 1910 e é o jornal e cabeçalho histórico do socialismo ferrolam até o Golpe de Estado do 1936. Dos 1010 exemplares produzidos (o último data do 11 de julho do 1936) apenas se conservam 150 na Hemeroteca Municipal de Madrid.

3 Amália Vergara tomou a palavra no primeiro comício feminino público da história de Ferrol. Foi no Domingo 14 de Dezembro do 1919 no Centro Obreiro da praça das Angustias 4, num local completamente ateigado manifestou “os governantes nom sabem ou nom querem arranjá-lo (a crise de subsistências) que nos deixem o posto a nós que já o amanharemos melhor que os homens”. Bibliografia: Ferrol Rebelde, Marcos Abalde

4 Maria Varela encorajou as mulheres “a alçar-se de maneira airada para que as protestas nom caiam no vazio.” Bibliografia: Ferrol Rebelde, Marcos Abalde

5 América Ruiz defendeu nesse mesmo ato “que a única forma de acabar com tanta miséria é que todas as mulheres unidas derrubem o régime atual”. Longas aclamaçons receberom todos os discursos. Bibliografia: Ferrol Rebelde, Marcos Abalde

6 Maria Abelha Castro era ama de casa, natural de Ares aínda que residía em Ferrol. Ingresou em pressom o 7 de agosto do 1936, morre por feridas de arma de fogo o 12 de setembro do 1936 na mesma cidade da que era vizinha.

7Josefa Gomes de Mera era capataz das obreiras encarregadas de carregar e descarregar o carbom no Arsenal de Ferrol, ingressou na pressom Provincial de Corunha o 22 de agosto do 1936 sendo executada um mês depois sem formaçom da causa.