Por Jorge Paços /

Passam os dias e vam-se enchendo ocos numha estória impactante e comovedora; a dum jovem compatriota que, desmentindo centos de tópicos e vencendo a palavrada e a tirania do hedonismo, foi cair a terra alheia, fusil em mao, apoiando a causa dum povo distante.

Os meios comerciais vam dando retalhos da curta biografia de Samuel Prada Leom, ‘Baran Galiza’, permitindo às galegas e galegos conscientes saber quem é o combatente, até o de agora praticamente anónimo.

Sabemos já que Baran Galiza, como milhares de galegos e galegas, pertencia a umha família emigrante ; vivia desde os seis anos com a sua nai, trabalhadora da hospedaria, em Andorra. Foi a sua mae a primeira em receber a nova do falecimento, quando umha delegaçom curda apareceu no restaurante portando um ramo de flores.

Assim fala a mae do seu filho : ‘ele aqui nom era feliz ; nom se preocupava com ter roupa de marca ou o carro mais bonito.’ Esclarece que o moço, embora fora desde havia dezoito anos, era ‘galego até o cerne’.

Começou a se deslocar ao Curdistám no verao de 16, de partida contribuindo com ajuda humanitária às vítimas dos ataques do ISIS. A experiência marcou-no, e retornou a Andorra com a ideia de re-incorporar-se ao conflito, agora pegando nas armas. Baran Galiza recebeu adestramento militar e desempenhava o seu posto como franco-atirador. Enfrentou o ISIS em Deir Ezzor e Raqqa, reconquistada polos curdos no Outono passado.

Baran cumprira o prazo de seis meses de combate estipulado para os e as combatentes no Curdistám, mas com isso e contodo decidiu demorar a sua volta. Caiu num bombardeamento turco em Afrin, junto os internacionalistas Kendal Breizh e Sjoerd Heeger. Todos eles afortalavam um posto defensivo ao que foram enviados polo comandante. Desconhece-se ainda que foi do corpo de Baran Galiza e se será repatriado.

De Galiza à Bretanha, da Bretanha à Alemanha.

Também sabemos mais cousas de Kendal Breizh, e da onda expansiva que desata a sua queda. Na Bretanha, o movimento nacional prepara homenagens, e o seu rosto inça muitas paredes do país.

Na Alemanha, um colectivo nomeado ‘Comando em Vingança de Kendal Breizh’ vem de atacar com bombas incendiárias um veículo pertencente à associaçom Uniom Turco-Islámica, à que acusa de ser parte da estratégia de guerra de Erdogan. ‘A defesa de Afrin começa nas ruas da Europa’, afirma o comunicado de reivindicaçom.