Por Marcos Abalde /

Em 1933 a Sociedade Agrária e de Ofícios Vários de Sedes erigiu no campo da Feira do 13 um monumento em memória das vítimas da matança de 1918. Aquela subscriçom popular contou com apoios particulares e de diferentes entidades desde os governos municipais de Ferrol e Narom ao Sindicato Agrário de Pedroso. Arcádio Lopez Casillas elaborou dous planos, um para a construçom e outro para a sua exposiçom no local social. As obras forom realizadas em três meses a base de trabalho coletivo.

No domingo 9 de abril tivo lugar a inauguraçom. Acudiu numeroso público onde salientavam as mulheres. Tomarom a palavra Filgueira Vieites, López Chas, Díaz Mascaró e Edmundo Lorenzo. O futuro presidente da Juventude Socialista Unificada encorajou a luitar “até conseguir derrocar por completo o regime capitalista que se abala, para que nom poda haver mais vítimas”. Ali mesmo seis lavradores e lavradoras foram assassinadas e mais de trinta caíram feridas polas forças de repressom.

Como já acontecera em Nebra, a simbiose entre o movimento operário e agrarista ficou manifesta. Estavam a forjar umha história própria. Aquela revolta de março de 1918 fora dumha envergadura inaudita. Ninguém vivera nada igual. Aliás, milhares de proletárias e camponesas assumiram o protagonismo. Para afogar aquela mostra de dignidade estendida desde Júvia à comarca toda, o governo instaura o Estado de guerra. Mas nom se resignam. Elas conseguiram baixar a libra de pam de 35 a 25 céntimos. Em 1919 Josefina Neira Fernández fundará a Agrupaçom Feminina Socialista e Catalina López Rodríguez constituirá o sindicato Uniom Têxtil de Júvia.

Perante as eleiçons gerais de 1933, o veterano ativista Filgueira Vieites, sob o pseudónimo “El hombre que ríe”, publica um artigo em El Obrero onde considera aquela revolta das mulheres como um ponto de inflexom para a classe trabalhadora: “Aquela luita do ano 18 polas subsistências em que as proletárias de Ferrol e a sua comarca se lançavam à rua pedindo pam e respondiam a ordem dessas damas a balaços. Lembrai as vítimas de Ferrol e Sedes e, se lembrades isto, devedes dar o vosso voto ao Partido Socialista, porque aquelas vítimas eram socialistas”. Nom é casualidade que a própria Sociedade Agrária de Sedes durante a Segunda República estivesse representada diretamente no concelho de Narom por dous vereadores: José López Pardo e José González Fernández.

Em 1936 o chefe de Falange em Júvia e Neda, Antonio Barcón Sandino, dirige o esquadrom da morte que assassina o mestre de Sedes, Eugénio Meizoso Nuñez. Depois mandará vários camions para desmantelar o monumento às vítimas do 13 de março de 1918. Asseguram que vendeu as pedras lavradas a bom preço. Hoje ainda desconhecemos o que representavam. Sofreu umha infámia semelhante o monumento esculpido por Camilo Nogueira em 1932 na memória dos mártires de Sobredo. Antonio Barcón tinha dous irmaos: Ubaldo Barcón, proprietário da fábrica de tecidos de Júvia e Rafael Barcón, diretor do jornal El Correo Gallego. A riqueza nom pode ocultar a sua descomunal violência originária.

Durante décadas aquele março heroico foi apagado da memória. Quixerom privar-nos de referentes, condenar-nos à ignorância, impor a amnésia. Porém, em Trasancos criou-se umha comissom para comemorar o centenário e divulgar umha das principais efemérides no almanaque da redençom da nossa Terra. Por fim o inimigo deixava de vencer.