Por J. Paços e P. Fernandes Pastoriça /

“No arredado oeste há um Estado analfabeto onde nom se sente nada, nom sendo os ventos de tormenta”
Bráulio de Saragoça

Desta maneira rebaixava um bispo visigodo o povo suevo, que rivalizava com a sua étnia pola hegemonia na era post-imperial. O Reino Suevo foi umha estrutura política temperá que prefigura os poderes medievais, e que se afiançou em tempos de decadência romana, alianças interesseiras e cambiantes, e divisons arredor das interpretaçons do cristianismo. Apesar da fama da que goza aquele primeiro embriom da Galiza política, som muitos os baleiros que ainda temos sobre aquele tempo. Si sabemos, sem lugar a dúvida, que os suevos desafiárom os visigodos organizados arredor da capital toledana; e que com a sua derrota na batalha do Órbigo (456) perdêrom a ocasiom de assentar o centro político no noroeste da Península.

Segundo o cronista Orósio, a partir de 409 os suevos “deixárom a espada polo arado” e integrárom-se na economia agrária da Gallaecia; eram um pequeno contingente humano sobre um contingente maioritário galaico-romano; ao estarem parte das fontes escritas polos seus antagonistas -aristocracia latina e cronistas visigodos, quando nom precursores castelhanistas como Isidoro de Sevilha- aparecem empequenecidos ou demonizados. Hidácio, cronista galaico-romano da Galiza, que tivo que manter com eles negociaçons de paz, salienta o seu carácter belicoso e a sua querência polo saqueio.

Mas si sabemos da sua herança perdurável: revitalizaçom de capitais romanas como Braga -capital do Reino-, Lugo, Porto ou Astorga; conversom da Galiza ao cristianismo, acunhaçom de moeda; criaçom dumha tradiçom intelectual própria, graças a Martinho de Dúmio, e dumha igreja “nacional”; também um pequeno feixe de palavras de seu, que passárom ao vocabulário específico galego (como “laverca”) ou ao nosso tesouro toponímico.

A luita pola hegemonia: o Órbigo.
Na sua jeira de maior assentamento, coincidente com os seus pactos com a Roma decadente, fôrom belicosos e expansivos; esta era a linha dos povos guerreiros liderados por caudéis que reconformárom a Europa abandonada polo Império: ocupam Mérida, atacam a Bética, e desputam a Tarraconense contra os visigodos. Mesmo chegam a se aliar com os bagaudas, confederaçom de campesinos rebeldes com achegas basconas, que desafiam as autoridades políticas reinantes.

Baixo Requiário, o poder suevo está consolidado, e o Reino Visigodo aposta na sua subordinaçom. Eis o momento dum dos choques mais conhecidos de ambos os povos: a batalha do Órbigo, na Gallaecia -actual Leom-, onde umha tropa visigoda superior militarmente e liderada polos “dux” (se fixermos caso às fontes de Hidácio) destrói o exército suevo. Era o 5 de Outubro de 456. As razons do empraçamento da batalha podem ser duas: primeira, o feito de ser Astorga base operativa central de Requiário; a segunda, a chegada dos suevos da Tarraconense, de onde vinham trás realizar umha operaçom de saqueio.

Tratou-se, segundo a crónica militar, dum choque frontal a dezasseis quilómetros de Astorga, com intervençom da cavaleiria e intercámbio de armas arroxadizas. Precisamente polo impacto dumha delas, Requiário cai ferido e foge para Braga; ocupada esta capital, marcha para Porto; alô é capturado e degolado polos visigodos.

Já previamente, umha divisom naval dos visigodos atacara a Galiza pola actual Marinha com 400 guerreiros hérulos, numha manobra de desgaste do poder nativo que pretedia evitar as incursons suevas polo Cantábrico, visadas a chegar aos Pirineus.

A partir de entom, os documentos falam-nos dumha resistência sueva descentralizada e dividida, na que domina a luita polo poder entre líderes enfrentados. Ainda é nesta jeira quando os visigodos ocupam Lugo e Santarém.

Período escuro: um poder que pervive.
Ao rematarem as crónicas de Hidácio em 469, os historiadores topárom-se com um baleiro de fontes, um silêncio de quase um século. Que acontece com o Reino? Para a maioria da investigaçom, a Gallaecia continuou a ser um Estado formalmente independente, como mostram os documentos papais, que falam da normalidade na que se moviam os católicos no interior dum reino (o visigodo) oficialmente arriano.

É nesta altura também quando a Galiza recebe umha outra grande achega celta, com a acolhida de populaçom británica; a sua organizaçom eclesiástica aparece reconhecida nos Concílios de Braga. As fontes que nomeam três espaços políticos diferenciados -Gallaecia, Spania, Gália- som também deste século VI.

Escaramuças finais.
A autonomia do poder suevo explica contínuos choques com os visigodos na etapa final do nosso reino, narradas por cronistas como Gregório de Tours ou Juan de Biclaro: ocupaçom de Ourense (575), derrota de Andeca, derradeiro monarca indígena, em 585, e imposiçom de bispos arrianos em Viseu, Lugo, Tui e Porto. O retrocesso galaico conflui na transformaçom do noroeste peninsular numha província toledana.

Decadência temporal que preludia um novo esplendor autóctone, configurado pola resistência contra os árabes, o futuro papel de Compostela, e o nascimento da nossa língua.