Por José Manuel Lopes Gomes /

Assim acontece com as ideias revolucionárias: som enunciadas por pequenas minorias, perseguidas e ridiculizadas; logo passam a sectores “críticos” coniventes com o poder, que as enunciam com timidez para nom perderem o pesebre; e finalmente chegam às classes dominantes, que confessam a existência dos problemas quando estes som incontornáveis. Hoje, a cimeira OnePlanet de Paris reconhece que “as alternativas ante a mudança climática catastrófica viram mais e mais escassas”.

Dúzias de dirigentes estatais e grandes capitalistas congregárom-se hoje em Paris no chamado “cúmio OnePlanet”. O encontro acontece justo dous anos depois dos amos do globo reunirem-se na mesma cidade para chegar a compromissos insuficientes e nom vinculantes; foi o afamado “Acordo de Paris”, respostado por fraudulento por movimentaçons populares na rua, com a democracia francesa suspendida num estado de excepçom. Para chover no molhado, Donald Trump, assessorado por fanáticos negacionistas, decidiu retirar os Estados Unidos do acordo.

Macron alerta.
Até mesmo dirigentes da nova direita europeia, como o francês Emanuelle Macron, advertírom que a humanidade “fica sem tempo” para evitar um cenário incontrolável. Com a mudança climática acelerada concebida como um facto, a mirrada esperança dos dirigentes europeus é evitar que ao longo da centúria nom se superarem os 2º de aumento na temperatura média da Terra. Como gesto ante o bloqueio norteamericano, o presidente francês ofereceu suculentos contratos a cientistas norteamericanos para realizarem a sua pesquisa na Europa, longe das pressons directas dos negacionistas.

Movimento popular, profético.
Na realidade, a previsom dos piores cenários deve-se ao trabalho divulgativo de movimentos populares -nomeadamente o decrescentismo- e à intelectualidade crítica. Um dos maiores especialistas galegos na questom, o politólogo Carlos Taibo, afirmava nom há muito que “o colapso civilizacional, sem poder afirmar-se taxativamente, fai-se cada vez mais provável”. Falamos dumha mudança traumática de tal calado e dimensom que custa assumi-la; mesmo pessoas críticas com o sistema escolhem olhar para o outro lado ante os desafios que colocam as décadas vindouras.

Segundo Carlos de Castro, doutor em Física da Universidade de Valladolid e experto em “peak oil” a analogia do Titanic é a que melhor acai à nossa situaçom: a nossa civilizaçom já bateu com o icebergue -pois a mudança climática e o esgotamento energético som feitos iminentes-, toca ver como minimizamos os terríveis danos que já se alviscam. Com palavras severas, Antonio Castro afirma que “durante a catástrofe humana que vem enriba, o mais importante, o único importante agora, é que fazer e como comportar-nos para acedermos aos botes salva-vidas, algo no que tem mais releváncia a moral e o que salvamos dela que questons tecnológicas”.