PP espanhol desprezou a sua sucursal negando-se a defender sede galega para poluiçom marinha

Por José Manuel Lopes Gomes /

Que o nosso país era destino idóneo para acolher o laboratório de referência da UE para o seguimento da poluiçom de moluscos nom é motivo de controvérsia; Galiza, historicamente volcada ao mar e ainda hoje enorme produtora de riqueza marisqueira, devesse candidatar-se com razom e legitimidade para esta cobiçada sede comunitária. Até o mais tépedo galeguista ratificaria esta demanda, e por isso a sucursal galega do PP optou por reclamá-la. Nada é tam singelo, porém, quando Espanha governa os nossos rumos, e os que mandam de verdade aginha calárom os seus subordinados periféricos.

Assim o reconhece hoje a imprensa empresarial. Quando a finais do mês passado Núñez Feijoo anunciava o pulo da Junta para a candidatura da UE, os governantes espanhóis sabiam já que este centro de referência nom se instalaria na Galiza. Com o brexit, o instituto deixaria de ter sede central e os seus anacos iriam ser repartidos pola Europa. Para tal reconversom aduzem-se motivos de orçamento.

Porém, numha mostra de ignoráncia injustificável ou de pura venda de fumo, o líder do PP galego arengava a cidadania manifestando a “sólida candidatura galega” de tal laboratório. Fazia-o num acto do Intecmar, em Vila Joám, diante de pessoal técnico e meios de comunicaçom, sabedor do importante tirom eleitoral que iria ter a proposta.O instituto arousao é um centro de referência no seguimento científico da produçom de mexilhom.

Duas interpretaçons possíveis.
Como interpretar este movimento em falso dos profissionais do espectáculo? Se fixermos caso da imprensa galego-espanhola, um problema de coordinaçom entre o PP de Madrid e Compostela geraria este equívoco: enquanto aqui se promete, na capital do Reino desbota-se a possibilidade da candidatura galega.

Mas sendo a política institucional um assunto mais sujo e ensarilhado, cumpriria nom esquecer outras interpretaçons: a primeira seria que as elites espanholas desprezaram as pequenas elites indígenas, num exercício de minusvaloraçom do nosso país com numerosos precedentes; a segunda seria que o póprio Feijoo conhecesse a impossibilidade da candidatura e que, porém, nom estivesse disposto a perder um bom cabeçalho. Como é sabido, na política espectáculo, o que conta é ocupar um espaço nos meios, independentemente do que se afirmar for certo ou a mais escandalosa das mentiras. Nom surprenderia que um homem sem escrúpulos como o que hoje governa a autonomia actuasse nesta direcçom.

Embora umha parte da infraestrutura do futuro laboratório estará sediada em Vigo, isto está mui longe da demanda do sector: um instituto completo centrado na Galiza e a trabalhar para a Europa.