Da Argentina à Galiza: memória, dignidade e luita.

Por Ana Macinheira /

están en algún sitio / nube o tumba
están en algún sitio / estoy seguro
allá en el sur del alma
es posible que hayan extraviado la brújula
y hoy vaguen preguntando preguntando
dónde carajo queda el buen amor
porque vienen del odio”

Fragmento do poema “Desaparecidos” de Mario Benedetti.

N passado 29 de novembro celebrou-se na Argentina um dos maiores juízos sobre Direitos Humanos, em relaçom à ESMA (Escuela de Mecánica de la Armada) um dos mais brutais e crueis centros ilegais de detençom do regime militar argentino durante a ditadura. Dos mais de 600 centros clandestinos de detençom que criou a polícia militar, este é o mais simbólico.

As cifras do arrepio.

Entre os anos 1976 e 1983, arredor de 5.000 pessoas fôrom prisioneiras na ESMA, o 80% forom assassinadas. “Nunca vou saber porque me salvei, ninguem pode sabe-lo, mas agora podo dizer que tivo um sentido“ , reflexiona Miriam Lewin, umha das testemunhas no juízo contra os genocidas da ditadura argentina. Militante de esquerdas dende muito jovem foi detida em plena rua polas forças de segurança (vestidas à paisana) com tam só 19 anos.

Depois de meses de torturas nos que nom obtiverom rem, é transladada à ESMA “Eu nom sei se a ESMA foi o centro de detençom mais cruel e sanguento, como dim. Si creio que foi o mais perverso”, afirma Miriam.

As sessons com picana eran dolorosas, mas duravam só durante os interrogatorios. A verdadeira tortura era diaria: pés algemados, maos algemadas, encarapuchados, a ouvirem os berros dos companheiros torturados, espancados, suxos, humilhados”, declara Lázaro Gladstein, sobrevivente que testemunhou no juiço.

De capucha (o andar no que tinham recluídos aos presos e presas) só se saía de duas maneiras: se tinhas que ir ao banho, acompanhado dum guardia e com os pés algemados e arrastrando peso, ou as “quartas de translado” , nos que marchavas para nom voltares. O guarda dizia o teu número (a todas as pessoas detidas assignava-se-lhe um ao entrar na ESMA), se isto acontecía levavam aos detidos nomeados até o soto e de ali aos “voos da morte”, durante os quais sedavam-nos e deitvam-nos ao Rio da Plata.

Graças aos testemunhos das pessoas que sairam com vida da ESMA os seus torturadores e assassinos das suas companheiras e companheiros, fôrom condenados. 29 cadeias perpetuas e outras 19 penas de 8 a 25 anos de prisom. Também forom condenados os médicos Carlos Capdevila e José Luis Magnacco a 15 e 24 anos de cadeia, além do feito das condenas, foi muito forte estar aí e ver a Estela de Carlotto –titular das Avoas de Praça de Maio– fronte a fronte co ginecólogo da ESMA, o que trazia ao mundo os bebés que se roubavam”. Decenas das mulheres detidas-desaparecidas derom a luz nos centros de detençom ilegais; forom assassinadas, e os seus filhos e filhas entregadas a familias afins aos militares que os criavam como se fossem próprios.

A dia de hoje a antiga ESMA acolhe um museu da memória histórica, onde umha vez ao mês umha das pessoas superviventes guia e conta o seu cautiverio às visitantes, “sempre me pergunto se quem nos visitam se volvem milhores pessoas, se a existência destes espaços achega umha verdadeira cultura democrática do NUNCA MAIS, e creio que na Argentina, a relaçom que existe entre os juízos e os sitios de memoria é fundamental”, di a directora do centro, Alejandra Naftal.

E nom lhe falta razom a Alejandra Naftal quando vinca na importância de conservar a memoria histórica, tarefa pendente no nosso país e mesmo ninguneada. A modo de exemplo: no conjunto do Estado Espanhol hai contabilizados arredor de 114.226 desaparecid@s, só Camboia supera este número (de desaparecidos), segum declaraçons de Miguel Ángel Rodríguez Arias, investigador de Direito Penal Internacional da Universidade de Castela. Porem, em abril do ano passado, Mariano Rajoy, afirmava que ele nom tinha claro que houver mortos sem identificar nas valetas e/ou em fossas comúns, e que em todo caso duvidava que o governo puidesse fazer algo para arran-lo.

Rajoy com o negacionismo.

Na semana passada, o mesmo Rajoy, dando umha palestra a militares espanhóis em Costa de Marfil afirmava que nom sabía porque mudara o nome da rua na que el vivira fai anos em Pontevedra, mas que el segue a chamar-lhe Salvador Moreno e nom Rosalía de Castro, que é como se chama agora. O nome da rua modificou- se graças a umha moçom do BNG com apoio do PsdeG, cumplindo a Lei de Memória Histórica, à que o governo do PP nom adica umha soa partida orçamentária. Rajoy e o Partido Popular reivindicárom em numerosas ocasions a memória dos fascistas, fazendo apología do franquismo, como por exemplo o día da votaçom da moçom da que antes falávamos, na que o edil do PP Celestino Lores manifestou o seu desgusto porque “dividía” a cidadania pontevedresa “com questons que nunca deverom sair à rua” e acusou o BNG de “enturbiar com os seus juízos a memória de pessoas que já nom estám entre nós e alterar a paz familiar dos seus filhos, netos e bisnetos, que nom ofendêrom ninguém, e muito menos a vocês” .

Essa memoria que querem preservar é a de um fascista que participou no golpe militar franquista e foi ministro de Franco, ao que se lhe atribui, entre outros feitos, o bombardeamento à populaçom civil que fugia de Málaga, feito conhecido como a desbandá, na que forom assassinadas entre 3000 e 5000 pessoas.