Marcela e Elisa: resgatando a história de duas galegas transgressoras

Por Ana Macinheira /

A história das classes populares do nosso país, a das gentes anónimas e trabalhadoras, está inçada de exemplos contra o tópico. Também no respeitante às mulheres. Umha e outra vez aparecem moças valentes que racham o retrato da submissom. Cem anos antes de se falar de direitos das homossexuais, a Galiza tivo algo importante a dizer.

O primeiro casamento entre duas mulheres no Estado espanhol decorreu na Corunha no 1901, um século antes de que se aprovara a Lei do Matrimonio Homossexual.

Marcela Gracia Ibeas e Elisa Sánchez Loriga casárom pola igreja, e para poder exercer o seu “direito” (daquela aínda nom reconhecido) Elisa transformou-se em Mário.

As duas mulheres eram mestras e conheceram-se na Escola Normal de Magistério da Corunha. Fixérom-se amigas, namorárom e já nom quigérom arredar-se mais. Cada umha viviu em diferentes pontos do país até que Marcela foi destinada a Dumbria, concelho no que começárom a viver juntas.

Para poder levar adiante o seu casamento argalhárom todo um plano: fingírom discutir e que se zangavam até tal ponto que Elisa abandona a casa e a vila, para na realidade, começar o seu processo de transformaçom a Mário na cidade da Corunha. Curtou o cabelo, começou a fumar, vestia roupas de homem… E foi assim como se apresentou na igreja de Sam Jurjo, solicitando que o baptizasem, explicando que era filho de pais protestantes ingleses e queria converter-se ao catolicismo. Ao cura tampouco lhe estranhou que acto seguido lhe dixera que quería casar con Marcela, a moça coa que levava vivendo os últimos anos.

Pola sua banda Marcela também preparou coartada em Dumbria e fixo-lhe saber à vizinhançaa que ía casar com um curmao da Elisa, e que era muito o que se parecia a ela, “até no genio!”.

Depois de casar voltárom a Dumbria, mas nom tardárom em ser descobertas e denunciadas. A Marcela expedientarom-na e proibírom-lhe continuar leccionando aulas ; a Elisa agredirom-na na vila, na sua própria casa.

Para terminar, creemos que tanto Mario-Elisa como Marcela son dos enfermas, cuya neuropatía no castigan los códigos, pero que tienen un departamento a ocupar en el Manicomio de Conjo, en donde quizás no logren ser curadas, pero si estudiadas por el sabio Sánchez Freire, y por lo menos allí recluidas evitaremos que se propague su enfermedad, que suele ser contagiosa por el ejemplo, y que por fortuna en nuestras provincias gallegas no sólo no abunda, sino que es rarísima”, (La Voz de Galicia do 24 de junho de 1901).

Fugírom a Portugal, onde a tranquilidade nom lhes durou muito e fôrom detidas e encarceradas, passando treze dias em prisom. Fôrom postas em liberdade graças ao apoio do povo português que se posicionou com as duas mulheres.

Sabe-se que tempo despois fogem a Bos Aires, onde se perde a sua pista.

Fugíirom a Portugal, onde a tranquilidade nom lhes durou muito e fôrom detidas e encarceradas, passando treze dias em prisom. Fôrom postas em liberdade graças ao apoio do povo português que se posicionou com as duas mulheres.

Sabe-se que tempo despois fogem a Bos Aires, onde se perde a sua pista.