José Manuel Lopes Gomes /

Com quem conta o partido galego na hora de fazer valer os nossos direitos nacionais? Nom é umha pergunta ociosa, por muito que o pareça. Pois por baixo de simbologias autóctones, reconhecimento teórico de liberdades coletivas e certa afinidade sentimental com a causa galega agocham-se toneladas de indefiniçons, medos e renúncias. Vimo-lo hoje no debate sobre o artigo 155 na cámara do Hórreo. O excepcionalismo espanhol tem valedores por acçom e cúmplices por omisom.

O BNG reclamou hoje no parlamento galego o fim da aplicaçom do artigo 155 contra Catalunha e umha soluçom negociada ao conflito que passe polo reconhecimento do direito a decidir, também da Galiza e o País Basco. Até aí, nada novo: umha proposta que encaixa naturalmente em posiçons nacionalistas, por tépedas que forem, e mesmo simplesmente republicanas e democráticas. Como tampouco nom é nada novo que o partido único do regime, PP-PSOE, vote contra esta reivindicaçom elementar.

Nom todos os espanhóis venhem de Espanha.
A surpresa ou, para os menos ingénuos, a confirmaçom decepcionante, chegou na hora de votarem os deputados e deputadas de Em Marea. A plataforma eleitoral, teoricamente criada para ‘superar o regime do 78’ apostou na abstençom, demonstrando assim o cerne hispanodependente e vacilante de grande parte da esquerda reformista que actua na Galiza. Que a própria decisom incomodava os setores nacionalistas da coaliçom indica-o o feito de quatro deputadas ausentarem-se no momento da votaçom. Apenas os parlamentares galego-espanhóis apoiárom, com a sua abstençom, a enteléquia dumha ’terceira via’ que na realidade engorda o constitucionalismo.

Contra o excecionalismo. Também na Galiza?
A Proposiçom nom de Lei do BNG incluía umha denúncia do retrocesso democrático que suponhem as leis de exceçom, leis que levárom quase umha dezena de ativistas e governantes cataláns à prisom.

O excecionalismo contra forças soberanistas catalás está a ser combatido por setores a cada mais amplos da esquerda e dos nacionalismos. Em segundo ou terceiro plano fica, porém, a denúncia dum excecionalismo mais velho: o que padece o independentismo galego desde há quatro décadas. Operaçons policíacas contra organizaçons legais (Operaçons Cacharrom e Castinheira em 2005 contra BRIGA e AMI, Jaro I e II contra Causa Galiza e Ceivar em 2015 e 2017). Também a intervençom parlamentar sobre os e as prisioneiras políticas galegas, alguns deles a cumprirem condenas de mais de treze anos no estrangeiro, fica secundarizada. Se bem as forças parlamentares nacionalistas se tenhem manifestado contra a dispersom, a crítica à ofensiva espanhola contra o arredismo sempre se fai com a prudência extrema de quem quer fugir da fiscalizaçom da imprensa empresarial e dos políticos neofranquistas. Um equilibrismo difícil.